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Sócia da produtora de Dark Horse acusa extorsão e fraude processual

Polícia investiga extorsão e fraude processual envolvendo ONG presidida por Karina Gama; MP apura contrato de R$ 108 milhões com a prefeitura de São Paulo

Karina Ferreira Gama, sócia da produtora de 'Dark Horse' e presidente da ONG Instituto Conhecer Brasil
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  • Karina Ferreira Gama, sócia da produtora do filme Dark Horse, afirma ter sido alvo de extorsão e fraude processual por parte da Ultra IP, prestadora de serviços ligada ao ICB, ONG que preside.
  • O Instituto Conhecer Brasil tem contrato com a Prefeitura de São Paulo para instalar redes de internet, com 5.000 links previstos; Karina sustenta que a Ultra IP interrompeu cerca de 800 links, prejudicando comunidades atendidas.
  • A Polícia Civil de São Paulo abriu um inquérito sobre o caso em maio, após a denúncia, envolvendo supostos descumprimentos técnicos e resistência a regularizações.
  • O Ministério Público de São Paulo investiga irregularidades no contrato de 108 milhões de reais entre a Prefeitura e o ICB; a prefeitura diz que o chamamento público foi transparente e sem contestações.
  • Além disso, a produção de Dark Horse é mencionada na matéria, com áudios divulgados pelo The Intercept Brasil em que o senador Flávio Bolsonaro aparece pedindo recursos para o filme.

Karina Ferreira Gama, sócia da produtora do filme Dark Horse, acusa um prestador de serviços de extorsão e fraude processual. A denúncia envolve a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidida por ela, que mantém contrato com a Prefeitura de São Paulo para levar internet a áreas vulneráveis. A Polícia Civil de São Paulo abriu inquérito para apurar as acusações.

No boletim de ocorrência, a empresária afirma que a Ultra IP, contratada pelo ICB para instalar e manter links, cometeu repetidos descumprimentos técnicos e administrativos. Também aponta resistência ao atendimento de regularizações solicitadas pelo Instituto e interrupção de cerca de 800 links de internet, afetando comunidades atendidas pelo programa.

O documento aponta ainda que o acordo com a prefeitura previa 5.000 links, enquanto houve interrupções significativas. Karina acusa o dono da Ultra IP, William Silva Ferreira, de cobrar 2,5 milhões de reais por meio de pressões e ameaça de exposição midiática, entre outras ações, para prejudicar o projeto.

Na investigação, o delegado Nelson de Camargo Rosa, do 78º DP Jardins, afirma que a empresa buscaria deslocar responsabilidades por meio de ação de produção antecipada de provas para conferir legitimidade à versão apresentada. O inquérito foi instaurado em 5 de maio.

William Silva Ferreira disse não ter ciência do inquérito, negou as acusações e informou ter recorrido à Justiça após não ter recebido pagamento pelo serviço ao ICB. A Go Up Entertainment, ligada a Karina, também não respondeu ao contato feito pela reportagem.

Investigação do MP-SP sobre o contrato com a ONG

No fim de janeiro, o Ministério Público de São Paulo abriu inquérito para apurar supostas irregularidades no contrato de 108 milhões de reais para instalar pontos de Wi‑Fi entre a Prefeitura e o ICB. A denúncia foi apresentada pelo vereador Nabil Bonduki (PT).

Segundo o MP, há indícios de irregularidades no chamamento público, como ausência de concorrência, e possibilidade de superfaturamento acima de 27 milhões. O inquérito tramita em sigilo na Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social.

A Prefeitura afirmou que a contratação do ICB para 5.000 pontos do Wi‑Fi Livre foi realizada por meio de chamamento público transparente, sem contestações, e que a prestação de serviço segue normalmente. A ONG não se manifestou sobre o contrato.

Dark Horse e outras informações relacionadas

Karina é a única sócia da Go Up Entertainment LTDA, produtora de Dark Horse. Em áudios da investigação, divulgados pelo The Intercept Brasil, surge o senador Flávio Bolsonaro solicitando recursos para a conclusão do filme, em conversa com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

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