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Corrupção ficou mais barata? Estudo analisa custos e impactos

Canais modernos de influência barateiam a manipulação política, reduzindo custos para políticos, juízes e imprensa e ampliando riscos de autoritarismo

Muro em Lima, no Peru, um dia antes do primeiro turno das eleições de 2026; Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, ficou em primeiro lugar
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  • O estudo de Montesinos, no Peru dos anos noventa, mostrou que o suborno a canais de televisão custava cerca de dez vezes mais do que pagamentos a deputados e a juízes, evidenciando o peso da imprensa na freação de um governo corrupto.
  • Montesinos gravava vídeos e usava contratos para formalizar atos de corrupção; a imprensa livre era vista como uma barreira importante ao autoritarismo.
  • No Brasil, o caso de Vorcaro envolve pagamentos de 80 milhões de reais ao escritório da esposa de Alexandre de Moraes, com contrato que previa 129 milhões em três anos, além de investimento no resort da família de Dias Toffoli.
  • Flávio Bolsonaro receberia um total de 134 milhões; cerca de 61 milhões teriam sido pagos. Ciro Nogueira recebeu alguns milhões por ano; Antonio Rueda levou cerca de 6 milhões.
  • A Polícia Federal identificou cerca de 40 influencers que teriam recebido 8 milhões de reais para atacar a gestão do Banco Central, ilustrando como a comunicação pode ser comprada de forma mais barata hoje.

Durante o governo de Alberto Fujimori, no Peru dos anos 1990, Vladimiro Montesinos, chefe do Serviço Nacional de Inteligência, coordenou uso de dinheiro e pressão para lograr apoio de deputados, juízes e veículos de imprensa. Vídeos e contratos serviram para formalizar atos de corrupção.

Em estudo publicado em 2004, John McMillan e Pablo Zoido mostraram que subornos a canais de televisão eram mais onerosos que pagamentos a parlamentares ou a juízes. A imprensa era apontada como freio poderoso a governos autoritários, justificando o alto custo.

Um caso recente no Brasil envolve Daniel Vorcaro. Segundo imprensa, ele pagou dezenas de milhões de reais a políticos, juízes e influencers, entre eles contratos com o escritório da esposa de Alexandre de Moraes e investimentos na família de Toffoli. O objetivo seria influenciar decisões e a gestão pública.

Dados apontam que, embora o montante destinado a mídia tradicional seja maior, influencers passaram a atuar como canais de persuasão com custos menores. PF identificou cerca de 40 influencers recebendo somas correspondentes a milhões de reais para ações ligadas ao Banco Central.

Na prática, a discussão gira em torno de custos relativos para obtenção de influência. Enquanto a imprensa livre pode frear abusos, plataformas digitais oferecem alternativas de alcance rápido e mais baratas, elevando o desafio de monitorar a integridade política.

Autoridades enfatizam que comprovação de ilícitos depende de investigação judicial. A comparação entre casos históricos e atuais revela mudanças na lógica de financiamento de influência, com impactos diretos sobre transparência e confiança pública.

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