- O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio da Costa, reabriu as investigações sobre a morte de Ngange Mbaye e designou que o caso seja analisado por outro promotor, para possível denúncia contra o policial envolvido.
- Mbaye, ambulante senegalês de 34 anos, foi morto a tiros por um policial militar durante uma abordagem no Brás, região central de São Paulo, em abril de 2025.
- Na ocasião, a Polícia Militar informou que Mbaye teria reagido com uma barra de ferro; testemunhas afirmam que ele tentou proteger as mercadorias durante a ação.
- Em fevereiro, o Ministério Público pediu o arquivamento e a Justiça paulista concordou, entendendo que houve legítima defesa por parte do policial.
- A morte gerou denúncias à Organização dos Estados Americanos por parte de organizações da sociedade civil, cobrando responsabilidade de autoridades e reforçando a solidariedade à família de Mbaye.
O Ministério Público de São Paulo reabriu as investigações sobre a morte de Ngange Mbaye, ambulante senegalês de 34 anos, que foi morto a tiros por um policial militar em abril de 2025 no Brás, zona central da capital paulista. A decisão determina que o caso seja analisado por outro promotor, com o objetivo de possível denúncia contra o policial envolvido.
Segundo o MP, a reabertura ocorreu nesta segunda-feira, 18, sob a instrução de que novas provas sejam examinadas e que haja revisão do caso já arquivado em fevereiro deste ano, a pedido da própria instituição. A apreciação por novo promotor visa ampliar a avaliação de eventuais irregularidades ou falhas no inquérito.
Ao apresentar a nova linha de atuação, o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio da Costa, destacou que a paternidade da investigação deve ser reexaminada para assegurar a tempestividade e a completude das informações. Não houve detalhamento de quais diligências deverão ser realizadas, apenas o encaminhamento para nova análise.
Conforme o registro policial, Mbaye teria sido abordado durante operação de apreensão de mercadorias irregulares. A versão inicial aponta que o ambulante teria reagido com uma barra de ferro, levando aos disparos que tiraram sua vida. Testemunhas, porém, relatam que Mbaye estava protegendo as mercadorias durante a abordagem.
O Corpo de Bombeiros chegou a socorrer Mbaye, que foi conduzido ao Hospital Santa Casa de Misericórdia, onde morreu. A barra utilizada na suposta agressão, bem como a arma do policial, foram apreendidas pelas autoridades.
Na semana da ocorrência, o policial foi afastado das atividades operacionais pela PM. Três dias depois, entidades de defesa dos direitos civis denunciaram o governo estadual à Organização dos Estados Americanos, pedindo apuração independente do caso.
A denúncia, organizada pela Uneafro Brasil, MNU, Instituto de Referência Negra Peregum, Rede Amparar, Iniciativa Negra e outras 61 organizações, compôs uma que já havia sido apresentada em dezembro de 2024, acusando o governador e o secretário de Segurança Pública pela letalidade policial no estado.
O Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante emitiu nota de pesar pela morte de Mbaye, ressaltando solidariedade à família, à comunidade senegalesa e aos migrantes, que enfrentam racismo e precarização no cotidiano de trabalho.
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