- O TSE manteve a cassação da prefeita de Votorantim e de um vereador, ambos por abuso de poder religioso, ao entender que houve uso da igreja para angariar votos em 2024.
- A decisão aponta que houve culto na Igreja do Evangelho Quadrangular com o objetivo de promover candidaturas e apoio explícito ao vereador.
- Declarações da liderança religiosa, como “a Igreja Quadrangular aqui de Votorantim nós estamos fechados com o pastor Lilo”, foram citadas como evidência.
- Defesa alegou ausência de pedido explícito de votos e falta de provas, mas o TSE afirmou que houve instrumentalização da fé para promoção eleitoral.
- Analistas citados pela imprensa destacam que a decisão pode impactar campanhas ligadas a grupos religiosos e servir de precedente para casos semelhantes.
O TSE manteve a cassação da prefeita de Votorantim, Fabiola Alves da Silva (PSDB), e do vereador Alison Andrei Pereira de Camargo, conhecido como Pastor Lilo (MDB), por abuso de poder religioso durante as eleições de 2024. A decisão afirma que houve uso da estrutura da igreja para angariar votos e influenciar eleitores, em culto realizado na Igreja do Evangelho Quadrangular.
A cassação aponta falas do pastor responsável por um projeto da igreja que visava eleger 120 vereadores e apoio direto ao vereador Lilo. A suposta responsabilização envolve declarações como “a Igreja Quadrangular aqui de Votorantim nós estamos fechados com o pastor Lilo”. A defesa sustenta que não houve pedido explícito de votos e que não há provas suficientes. O TSE atuou considerando instrumentalização da fé para fins eleitorais.
Igreja nas eleições
O tribunal manteve a inelegibilidade dos dois políticos, entendendo uso da estrutura da igreja para promoção eleitoral, com discursos em culto e apoio de líderes religiosos, além de possível benefício econômico à instituição no período eleitoral. A decisão reforça que liberdade religiosa não autoriza uso de templos como palanques políticos. O TSE não classifica abuso de poder religioso como infração autônoma, mas admite responsabilização quando o religioso se entrelaça com abuso político ou econômico.
Analistas lembram que a decisão pode impactar campanhas ligadas a grupos religiosos, ampliando a fiscalização de cultos e transmissões religiosas, além de servir como precedente para casos semelhantes envolvendo apoio institucional de igrejas a candidatos.
Abuso de poder religioso
O TSE sustenta que não há um ilícito autônomo formal, mas o abuso pode ser identificado quando há enquadramento em outros tipos de abuso, como político ou econômico. Para Max Kolbe, especialista em direito eleitoral, a decisão pode influenciar as eleições de outubro ao limitar o uso de estruturas religiosas para impulsionar candidaturas.
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