- O texto analisa como a desinformação funciona pela instabilidade permanente, com mentiras que persistem na imprensa e nas redes, difundidas por poderes que desinformam repetidamente.
- Destaca o comportamento oscilante de Donald Trump, com alternância entre tarifas, punições e perdões que ocorrem em questão de horas, gerando incerteza.
- Questiona a aplicabilidade da retórica de Aristóteles, mostrando que o que funciona para uma audiência pode falhar para outra e que cada situação demanda tática diferente.
- Aponta um efeito de procrastinação e de adiamento de soluções, com imitadores no Brasil e o ciclo de aprova-desaprova-veta-reapresenta.
- Conclui que promessas de controle do mundo digital convivem com problemas como pedofilia, suicídios entre jovens e bullying, sugerindo reduzir o uso de telas e valorizar a inteligência.
Entre contradições políticas e manipulação digital, a pesquisadora Marília Fiorillo analisa como a desinformação opera pela instabilidade permanente. O texto aponta que as mentiras não sumiram; apenas migraram para o cotidiano das redes e para o noticiário tradicional.
Segundo Fiorillo, a responsabilidade pela desinformação não recai sobre o jornalista, mas sobre os próprios agentes de poder. Anúncios, retratações, recuos e novas promessas se sucedem, mantendo o ciclo de incerteza e retórica em movimento.
No exemplo internacional, o uso pendular de políticas aparece com força. A editora cita ações de Donald Trump, com mudanças rápidas em tarifas, punições e perdões, além de declarações sobre o Irã que alternam entre ataque e contenção em curtos intervalos.
A autora também comenta a leitura dos mecanismos da retórica, citando Aristóteles e a ideia de que persuadir depende da plateia. Em discurso político, o que funciona para uma audiência pode falhar para outra, gerando reequilíbrios táticos constantes.
O efeito é mais complexo que a simples incerteza: há uma procrastinação estrutural de soluções. Trump é apontado como inspiração para adeptos em diversos países, incluindo o Brasil, com o ciclo de aprovar, desaprovar, vetar e reapresentar.
Entre as promessas de cessar-fogo, o texto aponta leituras duplas: em alguns casos, o retorno ao confronto é anunciado como pausa, o que pode sinalizar intensificação futura. O mesmo ocorre com promessas de controle do submundo digital.
A discussão não é apenas sobre guerra ou paz, mas sobre o funcionamento de narrativas. Ao tratar da desinformação, Fiorillo sugere atenção a padrões repetitivos que podem indicar estratégia deliberada, nem sempre com intenção de destruição, mas de manter a audiência engajada.
Apesar do pessimismo aparente, o texto defende uma mudança de posição: abandonar práticas que alimentam o viés tecnológico e buscar a leitura crítica. A ideia central é usar a razão de forma prática, para reduzir os impactos da desinformação.
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