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Extrema-direita alemã cresce após derrota do socialismo, diz escritora

Escritora associa crescimento da extrema direita na Alemanha às falhas da reunificação, destacando desigualdades entre Leste e Oeste e disputas de memória

A escritora alemã Jenny Erpenbeck, autora de 'Kairós'
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  • A escritora alemã Jenny Erpenbeck, nascida na Alemanha Oriental em 1967, lança no Brasil o romance Kairós, vencedor do Prêmio Booker Internacional há dois anos.
  • A obra, com tradução da Companhia das Letras, propõe olhar para a vida na Alemanha dividida pelo Muro e após a reunificação, além de explorar uma história de amor extraconjugal.
  • Erpenbeck critica retratos que se concentram apenas na repressão e lembra que havia vida normal na Alemanha Oriental, com contradições entreIdeias revolucionárias e o uso do poder.
  • A entrevista aborda a queda do Muro de Berlim em novembro de 1989, a reunificação e as desigualdades que persistem entre as antigas áreas oriental e ocidental.
  • Ela associa o fortalecimento da extrema direita na Alemanha ao período de ruptura da reunificação, destacando a ascensão da AfD e a percepção de perdas locais frente a políticas europeias.

Jenny Erpenbeck lança no Brasil o romance Kairós, vencedor do Booker International, em meio a debate sobre extremismo na Alemanha. A autora discutiu a relação entre a reunificação e o avanço da direita na entrevista à Folha, realizada em Berlim Oriental.

O livro principal acompanha Katharina e Hans, um casal cuja história de amor acompanha o conturbado cenário político entre os anos 1980 e 1990. A narrativa cruza vida privada com mudanças estruturais do país dividido e após a queda do muro.

Erpenbeck aponta que a Alemanha Oriental enfrentou carências cotidianas, como abastecimento limitado e serviço militar obrigatório, contrastando com a vida no Ocidente. A autora usou pesquisas em arquivos na Alemanha e na Polônia.

A escritora defende que a reunificação foi marcada por uma superioridade econômica que impôs padrões ocidentais. Segundo ela, houve uma assimetria que afetou a integração de profissionais e instituições da antiga RDA.

Ela associa o fortalecimento da extrema direita à insatisfação com estruturas de poder não transparentes e com políticas da União Europeia. O argumento central é que a memória da RDA continua relevante para entender o presente político alemão.

Para Erpenbeck, é essencial discutir o passado e suas contradições. A obra busca lembrar que projetos emancipatórios também enfrentaram abusos e que o ideal revolucionário pode se perder quando se alinha ao poder.

Na visão da autora, a ascensão de movimentos nacionalistas é uma resposta a rupturas sociais e econômicas geradas pela reunificação. O tema é apresentado sem romantizações, enfatizando impactos reais para as populações orientais.

No fim, a escritora enfatiza o valor de uma memória crítica sobre a RDA. O objetivo é compreender falhas históricas, sem exortar conclusões, apenas informar sobre as complexidades da era de transição.

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