- O governo federal quer adiantar a construção de uma segunda pista em Viracopos, em Campinas, para evitar gargalo no sistema aéreo de São Paulo.
- A proposta reformula a concessão de Viracopos, reduzindo a área do aeroporto de 27 km² para cerca de 20 km².
- Viracopos opera hoje com uma pista e recebe cerca de 124,6 mil pousos e decolagens por ano; a segunda pista seria instalada para ampliar a capacidade mais rápido.
- Estudos indicam saturação do sistema paulista entre três e doze anos, dependendo do cenário e das ações em Congonhas, Guarulhos e Viracopos.
- O plano está sendo enviado à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para negociação com a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos, com a obra prevista para começar antes do esgotamento da capacidade atual.
O governo federal pretende usar a renegociação da concessão de Viracopos para adiantar a construção de uma segunda pista no aeroporto de Campinas, interior de São Paulo. A medida busca ampliar as alternativas de tráfego e evitar gargalos no sistema aéreo paulista.
A proposta é parte de um acordo técnico entre o Ministério de Portos e Aeroportos, a Anac e a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos. Ela já está Em fase de negociação para alterar o contrato vigente.
Viracopos opera com uma única pista e recebe aproximadamente 124,6 mil movimentos por ano. O contrato original previa a construção da segunda pista apenas quando o aeroporto atingisse 178 mil operações.
O governo sustenta que esperar o aumento natural de demanda pode levar a um colapso operacional nos próximos anos. A ideia é entregar a pista o mais próximo possível do momento presente, independentemente do alcance da demanda.
Cálculos do governo indicam que a saturação do sistema paulista pode ocorrer entre três e doze anos, conforme cenários. Estudos de diferentes órgãos apontam prazos variados para Congonhas, Guarulhos e Viracopos.
Segundo estudo técnico da 7ª Rodada de Concessões, a saturação poderia ocorrer em cerca de três anos. Já o Plano Aeroviário Nacional aponta cinco anos, mesmo com ampliações em Guarulhos e Congonhos.
Uma avaliação da UFSC traz um cenário mais conservador, estimando o esgotamento do sistema em cerca de 12 anos. O Mpor considera que a obra de Viracopos levará em torno de cinco anos para ficar pronta.
A nova proposta reduz a área planejada de Viracopos, de 27 km² para aproximadamente 20 km². A mudança se dá por custos de desapropriação, dificuldades operacionais e mudança de visão sobre o papel do aeroporto no sistema.
Viracopos acumula anos de disputas regulatórias e dívidas, com passivo de mais de R$ 5 bilhões perante a Anac. Do lado da concessionária, o governo aponta uma obrigação de cerca de R$ 6 bilhões a pagar à ABV.
O plano do Mpor foi encaminhado à Anac, que negocia com a ABV. A construção da segunda pista, embora não resolver o problema estrutural no longo prazo, visa aliviar a pressão nos próximos anos.
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