- Tulsi Gabbard deixou o cargo de diretora de Inteligência Nacional após 15 meses, encerrando seu mandato na sexta-feira.
- Sua nomeação foi atípica: ex-divergente do espectro democrata, sem histórico em inteligência, cuja postura sobre intervenção externa às vezes divergia de Donald Trump.
- O presidente chegou a deixá-la de fora de conversas-chave de segurança nacional, inclusive sobre Irã e Venezuela.
- Implementou cortes de custos e mudanças estruturais, afirmando ter reduzido a equipe em cerca de 30% e criando o Grupo de Iniciativas do Diretor (DIG), que foi dissolvido em dezembro.
- A saída ocorre em meio a controvérsias e tensões internas; o motivo informado para a renúncia foi o diagnóstico de câncer no cérebro do marido, com Aaron Lukas como diretor interino.
Tulsi Gabbard, ex-deputada e ex-candidata, anunciou nesta sexta-feira sua resignação do posto de Diretora de Inteligência Nacional (DNI), encerrando 15 meses à frente do órgão. A saída ocorre menos de dois meses após a confirmação no Senado em janeiro de 2025. A gestão ocorre em meio a tensões com o governo federal e a reestruturação interna da agência. A decisão será efetiva até 30 de junho, quando um substituto interino deverá assumir.
Durante o mandato, Gabbard adotou medidas para ampliar a eficiência da ODNI e criou iniciativas para reduzir custos e revisar prioridades. Segundo relatos, ela afirmou ter reduzido em cerca de 30% a equipe sob sua liderança e oferecido programas de aposentadoria antecipada para parte dos colaboradores. A origem de sua nomeação contesta cenários tradicionais, dado seu histórico político e pontos de vista sobre intervenções estrangeiras.
Internamente, a diretora enfrentou críticas e apoio conflitantes. O DIG, grupo criado para abordar temas como a origem da Covid-19, alegações de interferência russa nas eleições de 2016 e incidentes de saúde, foi dissolvido em dezembro em meio a controvérsias interagências. A saída ocorre em meio a relações estreitas com um núcleo interno da equipe e a questionamentos sobre a lealdade ao governo Trump.
Contexto e desdobramentos
Gabbard chegou à ODNI após intensa polarização política, com críticas à condução de ações de governo, incluindo operações alinhadas a decisões do presidente. Em janeiro de 2025, um episódio envolvendo uma operação de busca em Fulton County, Geórgia, gerou debates sobre a participação da chefe de inteligência em assuntos domésticos. Críticos apontaram motivação política na presença da dirigente em atividades ligadas ao escrutínio eleitoral.
O presidente Donald Trump chegou a manifestar apoio a Gabbard em determinados momentos, destacando o papel da dirigente em aspectos de verificação de votos. Entretanto, quando o governo sinalizou ampliações de ações no exterior, conflitos com a líder da ODNI ficaram evidentes, refletindo divergências sobre a intervenção externa. A nomeação de um substituto interino já foi anunciada pela Casa Branca.
A saída de Gabbard levanta questões sobre a governança da ODNI nos próximos meses, incluindo o andamento de reformas internas, revisões de prioridades e a continuidade de colaborações entre agências. A organização continuará operando como parte da arquitetura de inteligência dos Estados Unidos, com lideranças transitórias até definição de um novo diretor.
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