- O eleitor independente deve decidir a eleição de 2026, e Lula e Flávio Bolsonaro precisam ampliar base e reduzir desgaste associado à corrupção.
- Lula precisa mostrar novidade e capacidade de entregar melhorias concretas, além de manter agenda de futuro, diante de três mandatos no poder.
- O governo tem lançado medidas para consumo e renda, como Desenrola 2.0, Luz do Povo e Gás do Povo, para recuperar popularidade.
- Flávio Bolsonaro busca moderar o tom e dialogar com além do núcleo bolsonarista, mas ainda enfrenta queda de apoio entre independentes após investigações e episódios recentes.
- Pré-candidatos como Caiado, Zema e Renan Santos ainda não conseguiram consolidar espaço independente; Renan é visto com resistência por posições radicais e falta de experiência administrativa.
A pesquisa qualitativa realizada com eleitores independentes aponta desafios para Lula e Flávio Bolsonaro crescerem além de seus nichos. O grupo, formado por menos ideológicos, pode definir a disputa pela vitória em 2026, segundo analistas consultados pelo jornal.
Lula enfrenta o desafio de mostrar capacidade de entregar melhorias concretas, mesmo após três mandatos. A percepção de desgaste ligada ao histórico de governos é citada como entrave para ampliar o apoio entre eleitores que não apoiaram nem Bolsonaro nem o PT em todas as rodadas.
Flávio Bolsonaro busca uma imagem mais moderada para alcançar o eleitor independente. A estratégia passa por sinalizar distância de posições radicais e ampliar o diálogo com perfis que não integram o núcleo fiel do bolsonarismo, sem abandonar a base de apoio.
Para Maurício Moura, do Idea, a frustração de eleitores que migraram de Bolsonaro para Lula em 2022 é decisiva: a expectativa de melhoria econômica não foi atendida. Ele aponta que esse público pode votar menos na rejeição ao atual governo e mais na percepção de que há promessa de mudança.
Renato Meirelles, do Instituto Locomotiva, ressalta a fadiga com a polarização. O eleitor independente tende a valorizar propostas concretas para o futuro mais do que o legado de governos passados, segundo ele.
O governo tem lançado medidas para estimular consumo e renda, como Desenrola 2.0, Luz do Povo e Gás do Povo. Aliados avaliam que efeitos dessas iniciativas devem se refletir nos próximos meses, ajudando a recuperação de popularidade de Lula.
Yuri Sanches, da AtlasIntel, destaca que a sensação de novidade ainda não chegou. O PT precisa apresentar agenda de futuro capaz de mobilizar o eleitor que diz não estar satisfeito com o que houve nos últimos anos.
A pré-campanha de Flávio Bolsonaro tenta explorar o cansaço com gestões anteriores e aposta em um tom mais moderado. Rogério Marinho, coordenador da candidatura, afirma que o foco é demonstrar que já venceu o prazo de validade da administração petista.
Entre as preocupações com honestidade, o tema aparece como fator relevante para o eleitor independente. Antonio Lavareda, do Ipespe, aponta que esse atributo é um “telhado de vidro” para Lula e para Flávio, incluindo investigações envolvendo o senador.
O impacto de casos de corrupção foi destacado pela Atlas/Bloomberg, com queda nas intenções de voto em Flávio, principalmente no primeiro turno, após o episódio envolvendo o financiamento de um filme biográfico sobre o ex-presidente Bolsonaro.
Além de Lula e Flávio, outros pré-candidatos enfrentam desafio de romper a polarização para ganhar espaço entre independentes. Caiado é visto como representante de uma direita regionalizada, Zema como outsider, mas ainda sem consolidação no eleitorado.
Renan Santos surge como alternativa a ambos, mas enfrenta resistência entre independentes por posições controversas e falta de experiência administrativa. Pesquisas sinalizam que a experiência de gestão pode ser determinante para ampliar o apoio.
Entre na conversa da comunidade