- Em 2024, São Paulo teve taxa de homicídios de 6,6 por 100 mil habitantes, menor entre os estados, contra 20,1 no Brasil.
- Quando considerados os homicídios ocultos (causa indeterminada), a taxa de SP sobe para 12,8 por 100 mil, alterando o ranking estadual.
- No Brasil, morreram 17.207 pessoas por causas violentas com indeterminação em 2024, correspondendo a cerca de 40% dos homicídios formalmente registrados no mesmo ano.
- O total de homicídios ocultos no país quase dobrou entre 2023 e 2024, de 3.755 para 7.083, com SP concentrando quase 40% desse total (2.824).
- Especialistas alertam que a subnotificação dificulta entender a dinâmica criminal e pode gerar “ponto cego” estatístico, demandando cautela ao interpretar melhorias nos indicadores de violência.
O Atlas da Violência 2024, divulgado nesta terça-feira, aponta que São Paulo tem a menor taxa de homicídios do país, mesmo registrando um aumento na subnotificação. Em números, o Estado teve 6,6 assassinatos por 100 mil habitantes, bem abaixo da média nacional de 20,1.
No estudo, os pesquisadores destacam o conceito de Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI). Essas mortes são registradas como indeterminadas pela Saúde, mas tendem a ser, na prática, homicídios não elucidados pela investigação policial.
A metodologia usa aprendizado de máquina para estimar a probabilidade de que uma causa indeterminada seja, de fato, homicídio, com base em características da vítima e do contexto do óbito.
Entre 2023 e 2024, o país viu o total de MVCI subir de 3.755 para 7.083, quase dobrando. São Paulo concentrou 2.824 desses casos, cerca de 40% do total nacional, mantendo o Estado como protagonista dessa subnotificação desde o início da série.
Redução de homicídios e preocupação com ‘ponto cego’ da estatística
Ao considerar também as mortes por causas indeterminadas, a taxa de homicídios de São Paulo quase dobra, de 6,6 para 12,8 por 100 mil habitantes, o que rebaixa o Estado para a terceira posição no ranking, atrás de Santa Catarina e do Distrito Federal.
A SSP-SP informou que seus dados são de natureza jurídica e criminológica, distintos dos usados no Atlas, que se baseia em dados do DataSUS. A pasta afirma que o SPVida monitora casos fatais para evitar classificar erroneamente homicídios como mortes suspeitas.
Pesquisadores, porém, defendem a comparabilidade entre séries. O técnico Daniel Cerqueira ressalta que as tendências são semelhantes entre os dados estimados e as informações oficiais de mortes violentas, ainda que haja diferenças metodológicas.
Em 2024, São Paulo registrou 2.630 homicídios dolosos, 138 casos de lesão corporal seguida de morte e 170 latrocínios, totalizando 2.938 casos segundo a Secretaria. Outras fontes indicam 2.938 homicídios formais e 5.865 estimados quando se contam as ocultas.
O Atlas ressalta que a queda de violência letal em São Paulo é acompanhada por debates sobre qualidade da informação. O estudo destaca a necessidade de cautela na interpretação de melhorias, diante do possível aumento de lacunas na estatística.
Mesmo com a redução histórica, o relatório mostra que estados como Amapá, Bahia e Ceará apresentam altas taxas de homicídios, com o Amapá liderando quando se considera as ocultas. O documento aborda ainda a atuação de facções como PCC, no contexto paulista, e compara cenários regionais para entender a dinâmica criminal.
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