- O Departamento do Trabalho enviou um e‑mail incentivando funcionários a denunciar discriminação ou retaliação relacionada a DEI, incluindo fatos anteriores à segunda posse de Donald Trump.
- A mensagem, intitulada “Reporting DEI-Related Discrimination, Retaliation, and Related Whistleblower Disclosures”, foi enviada pela conta DOL Guidance and Information e não foi assinada por nenhum líder específico.
- Um funcionário afirmou à WIRED que o e‑mail pareceu um lembrete para delatar colegas por questões de DEI.
- A definição de discriminação relacionada a DEI envolve ações de emprego motivadas por raça, cor, sexo, origem nacional, religião ou outras características protegidas; exemplos citados incluem restringir eventos de networking ou premiar com base em metas de diversidade.
- O texto também menciona prazo de três anos para denúncias e instruções de como apresentar relato ao Office of Special Counsel; autoridades não se pronunciaram ainda.
O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos enviou um e-mail a seus funcionários solicitando a denúncia de comportamentos relacionados a DEI (diversidade, equidade e inclusão). A mensagem, vista pelo WIRED, parecia orientar repassar casos de discriminação ou retaliação ligados a DEI. O texto não trazia assinatura de um líder específico.
Intitulado Reporting DEI-Related Discrimination, Retaliation, and Related Whistleblower Disclosures, o e-mail partiu de uma conta de orientação do DOL e não continha assinatura. Um funcionário anonimizado afirmou que o conteúdo soava como um recado para denunciar colegas por DEI. O aviso descreveu o que seria discriminação ligada a DEI e quais ações poderiam ser enquadradas.
Segundo o comunicado, discriminação relacionada a DEI ocorre quando ações de emprego — como contratação, promoção, treinamento, mentoria, atribuições ou prêmios — são motivadas por características protegidas. Também detalhou exemplos, como restringir eventos de networking a determinados grupos ou premiar com base em metas de diversidade.
A mensagem lembra ainda que o prazo de denúncia é de três anos. Isso permitiria, em teoria, apresentar queixas relativas a eventos anteriores à posse de Donald Trump como presidente, caso haja fundamentação legal. Instruções sobre como encaminhar whistleblower ao Office of Special Counsel também estavam presentes.
O DOL não respondeu imediatamente ao pedido de comentário. Além disso, o governo federal vem promovendo mudanças ligadas a DEI desde o início do segundo mandato de Trump, incluindo uma ordem executiva de janeiro de 2025 que pediu a eliminação de iniciativas de DEI em agências federais.
Ao longo de 2025, relatos apontam que o Departamento de Trabalho tem feito alterações em sua estrutura. Kenneth Wolfe foi nomeado para chefiar o Office of Federal Contract Compliance Programs (OFCCP), responsável por fiscalizar contratos federais contra discriminação. Segundo fontes, o OFCCP deve ser fundido a uma nova Secretaria de Direitos Civis.
Funcionários ouvidos pelo WIRED dizem não entender o motivo da comunicação naquele momento e temem abusos de uma eventual caça às bruxas. Há relatos de que atividades de DEI entraram anteriormente em padrões de avaliação de desempenho sob a gestão anterior. Os trabalhadores citam o risco de punição por atividades de DEI realizadas no passado.
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