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Ditador que amava livros cometeu crimes contra a humanidade

Roberts mostra em livro que Stalin, apesar da brutalidade, era leitor ávido, com biblioteca privada que ajuda a entender o regime e suas consequências

Geoffrey Roberts: trabalho de detetive nos remanescentes da coleção particular de Stalin
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  • O historiador Geoffrey Roberts apresenta o livro A Biblioteca de Stalin, publicado pela Matrix Editora no Brasil, baseado na coleção particular do ditador que reunia mais de 25 mil volumes.
  • O objetivo é reconstruir o perfil intelectual de Stalin sem romantizar seus crimes contra a humanidade.
  • Roberts afirma que o apego de Stalin às ideias era emocional e intelectual, permitindo-lhe conduzir um regime que resultou em milhões de mortes.
  • O texto compara Stalin a Lenin, destacando que Stalin foi quem operou o funcionamento do Estado soviético, embora Lenin tenha liderado a vitória na Guerra Civil Russa.
  • Entre os hábitos de leitura de Stalin, o livro cita que Lenin era o autor favorito, História era sua matéria predileta e que ele apreciava clássicos russos e autores como Hugo, Shakespeare, Cervantes, Dostoiévski e Gorki; a Bíblia marcou sua infância.

Geoffrey Roberts, historiador britânico, apresenta ao Brasil em A Biblioteca de Stalin uma leitura inédita sobre o ditador Josef Stalin. O livro reconstrói o perfil intelectual do líder soviético a partir da própria coleção pessoal de mais de 25 mil volumes, sem românticar seus crimes.

A obra, publicada pela Matrix Editora, utiliza os remanescentes da biblioteca de Stalin para revelar como ele formou convicções políticas profundas. Roberts aponta que o regime autoritário que ele ajudou a montar teve bases em leitura, estudo e uma visão de mundo influenciada pelos livros que possuía.

O pesquisador afirma que a descoberta central é a força emocional da intelectualidade de Stalin. Segundo ele, o líder conciliava grande erudição com uma determinação que resultou em políticas de repressão que ceifaram milhões de vidas. O livro enfatiza esse dualismo.

Para o autor, o modelo de Stalin se aproxima de Lenin, alguém que também reunia biblioteca e prática. A diferença seria o nível de teoria aplicada ao governo. Roberts sustenta ainda que Stalin foi quem fez o Estado soviético funcionar, enquanto Lenin liderou a vitória na Guerra Civil.

O historiador destaca que, apesar da inserção de Stalin no panteão intelectual, o livro não apaga o terror de seu regime. A leitura busca manter o equilíbrio entre compreensão histórica e confirmação dos abusos cometidos durante quatro décadas, até a morte de Stalin em 1953.

Entre os destaques, Roberts descreve a Bíblia como referência inicial de Stalin, ainda na juventude, quando estudava para o seminário. A partir daí, a fé foi substituída por convicções religiosas transformadas pelo peso da política. A biblioteca mostra também predileção por Lênin e por História.

Stalin teria ainda favoritos da literatura: clássicos russos e obras de Hugo, Shakespeare, Cervantes, Dostoiévski, Gorki e outros. O historiador aponta que o leitor apreciava a ideia de que a política na literatura era o aspecto central de seu interesse.

Por fim, o livro sugere que o escritor predileto de Stalin seria, segundo conjecturas de Roberts, Mikhail Saltykov-Shchedrin, conhecido por sátiras da sociedade czarista. A obra informa que a relação entre política e literatura marcou a visão de mundo do ditador.

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