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Mortes de mulheres negras durante a gestação: causas e dados

Mortalidade materna de mulheres negras persiste por racismo institucional, desassistência e barreiras de acesso, apesar de políticas públicas

PRI-2805-OPINI.jpg - (crédito: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
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  • Mulheres negras enfrentam maior mortalidade materna no Brasil, como no caso de Tairine Alves, mulher negra de 30 anos que morreu após buscar atendimento no Distrito Federal em abril de dois mil e vinte e quatro.
  • Estudos de Cambridge associam inflamação, estresse oxidativo e resistência vascular uteroplacentária a complicações como pré-eclâmpsia, parto prematuro e morte materna, explicados pelo racismo, desigualdades socioeconômicas e condições ambientais ao longo da vida.
  • O conceito de racismo obstétrico, formado pela antropóloga Dána-Ain Davis, descreve desqualificação da dor, descrédito dos relatos das pacientes e demora no atendimento.
  • O Ministério da Saúde reconheceu a problemática na Oficina Nacional sobre Mortalidade Materna de Mulheres Negras, em dois mil e vinte e três, apontando racismo institucional, barreiras de acesso e peregrinação entre unidades como fatores centrais.
  • A Rede Alyne e a nova edição da Caderneta da Gestante representam avanços, com foco em direitos sexuais e reprodutivos, plano de parto e violência obstétrica, mas é preciso transformar diretrizes em prática com foco na equidade.

No DF, em abril de 2024, Tairine Alves, 30 anos, passou mal na gestação e percorreu várias unidades de saúde até falecer poucas horas após chegar ao Hospital Regional de Taguatinga. A morte evidencia desigualdade na assistência obstétrica.

Mulheres negras concentram a quase totalidade das mortes maternas no Brasil, com risco maior do que o observado entre mulheres brancas. A dor é desqualificada, relatos são desacreditados e sinais de gravidade são ignorados em muitos casos.

A pesquisa publicada este ano em Trends in Endocrinology & Metabolism reúne 44 estudos sobre saúde materna. Indicadores como inflamação e estresse oxidativo são mais elevados em mulheres negras, associando-se a complicações graves e morte materna.

Essa leitura dialoga com o conceito de racismo obstétrico, formulado por Dána-Ain Davis. Práticas discriminatórias na gestação, parto e puerpério aparecem entre as expressões mais comuns de discriminação no atendimento.

Segundo o Ministério da Saúde, a Oficina Nacional sobre Mortalidade Materna de Mulheres Negras, em 2023, apontou racismo institucional, barreiras de acesso e peregrinação entre unidades como fatores centrais da desigualdade.

A Rede Alyne, criada para enfrentar o problema, homenageia Alyne Pimentel. Sua morte, após falhas na assistência obstétrica, levou à condenação internacional do Brasil pelo CEDAW. O nome reforça a urgência de equidade no cuidado.

A nova edição da Caderneta da Gestante, lançada pelo Ministério, amplia o registro clínico e traz informações sobre direitos sexuais, plano de parto e violência obstétrica, ampliando o acesso a informações.

Entretanto, políticas nacionais isoladamente não bastam. A redução da mortalidade depende de transformar diretrizes em práticas, com equidade racial na organização dos serviços e na formação das equipes.

Mais de 20 anos separam Alyne Pimentel de Tairine Alves, mas as histórias dialogam sobre obstáculos no atendimento emergencial para mulheres negras. A solução passa pela prática efetiva de direitos.

No Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna, a imprensa lembra que matus não é apenas tecnologia e leitos. Exige compromisso com equidade, escuta qualificada e dignidade para todas.

Fontes oficiais destacam dados de mortalidade materna, políticas de combate ao racismo obstétrico e iniciativas de enfrentamento, sem divulgar contatos de portais externos.

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