- Em de maio, a Câmara e o Senado dos EUA aprovaram derrotas inéditas ao presidente, durante o recesso de Memorial Day, sinalizando desgaste político para Donald Trump.
- No Senado, 19 de maio houve votação de cinquenta a quarenta e sete contra, com quatro votos da oposição e três ausências, exigindo autorização do Congresso para ações no Irã.
- Na Câmara, a diferença foi de 217 a 213, e o presidente da Casa adiou a votação até o fim do recesso para evitar derrota.
- A impopularidade de Trump cresce devido à carestia de preços e à guerra no Irã, influenciando deserções de membros do Partido Republicano, inclusive entre sustentáculos tradicionais.
- Além do Irã, congressistas também reúnem-se em torno de planos de ampliação de verbas para imigração e para a suíte de eventos da Casa Branca, com o veto presidencial esperado e chances de confirmação reduzidas.
O presidente Donald Trump sofreu as primeiras derrotas no Congresso durante o seu segundo mandato. A Câmara e o Senado estão em recesso por Memorial Day, celebrado na segunda-feira, 25 de maio de 2026, mas parlamentares aprovaram iniciativas contrárias a ele pouco antes de viajarem.
No saldo de 19 de maio, o Senado votou 50 a 47 pela obrigação de restringir ações militares no Irã sem autorização do Congresso. Dos 100 senadores, 53 são republicanos; 4 votaram pela oposição e 3 se ausentaram. A Câmara, com 217 votos a 213 a favor, tem maioria similar, mas adiou a decisão até o retorno do recesso.
Além da guerra no Irã, foram adiadas no Congresso medidas da agenda de Trump, como aumentos de verbas para a agência de imigração e para a sala de eventos na Casa Branca. Mesmo que aprovação ocorra, é improvável que Trump consiga veto a 2/3 das votações para derrubá-los.
Especialistas destacam que a semana no Capitólio sinalizou o pior momento do 2º mandato, com dissidências crescentes entre republicanos. A resistência é observada tanto entre setores mais tradicionais quanto entre apoiadores do movimento Maga, que veem a guerra no Irã como violação de princípios.
Um episódio-chave envolveu o senador John Cornyn, do Texas, alvo de uma tentativa de corrompimento político por parte de Trump. O ex-aliado enfrenta eleições primárias em 26 de maio, com Ken Paxton como o oponente apoiado pelo presidente.
Cornyn, eleito desde 2002, é respeitado dentro e fora do partido. Paxton, procurador-geral do Texas, tem histórico de acusações de corrupção. Como resultado, Cornyn pode votar contrariamente a Trump em temas futuros que impactem a Casa Branca.
A impopularidade de Trump nos últimos meses tem sido alimentada por dois fatores centrais. O aumento de preços de bens e serviços, atribuído por Trump ao legado de Biden, ampliou-se desde sua posse, elevando custo de vida.
A inflação é também reflexo de políticas anteriores de Trump, como tarifas importadas, e da continuidade da guerra contra o Irã, que já dura meses e pressionou o preço de combustíveis. Tais fatores impactam majoritariamente eleitores que o apoiaram.
No círculo interno, o descontentamento estende-se a setores que apoiaram líderes tradicionais, incluindo ex-presidentes do partido, e também entre parte do movimento Maga. O desgaste vira obstáculos para as teses de campanha de Trump em 3 de novembro.
As eleições de meio de mandato podem modificar a composição de Câmara e Senado, com consequências para a viabilidade de ações do presidente. O tabloide Wall Street Journal já avaliou que a Presidência ficaria “praticamente liquidada” caso a maioria se perca.
Enquanto isso, Trump intensifica a intervenção em regras eleitorais estaduais, buscando alterar normas para favorecer seus interesses. A prioridade estratégica passaria a moldar o cenário político nas próximas semanas, com foco na campanha e na gestão do poder.
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