- Odilon de Oliveira, ex-juiz federal de Mato Grosso do Sul, diz concordar com o enquadramento dos PCC e do Comando Vermelho como grupos terroristas pelos Estados Unidos.
- A designação oficial pelo governo americano deve ocorrer a partir de 5 de julho, conforme comunicado do secretário de Estado Marco Rubio.
- O juiz aposentado afirma que cada país pode conceituar terrorismo e classificar atos de grupos independentemente de sua base territorial.
- Ele ressalta que as facções possuem poder de fogo e atuação complexa, com infiltração na administração pública e em políticas locais no Brasil.
- A entrevista também aborda o histórico de ataques do PCC e do CV, além da necessidade de cooperação internacional e de fortalecer fronteiras para reduzir a delinquência violenta.
Odilon de Oliveira, juiz federal com três décadas de atuação na fronteira com Bolívia e Paraguai, hoje aposentado, apoia o enquadramento do PCC e do CV como organizações terroristas pela gestão Trump. Ele diz que cada país pode definir terrorismo conforme sua soberania.
A reportagem do Estadão mostra que, aos 76 anos, Odilon vive em Campo Grande e sustenta que a classificação americana não obriga o Brasil a adotá-la. Ele afirma que a decisão reforça o combate ao crime organizado transnacional.
Desde 2001, Odilon atuou no Mato Grosso do Sul e já lidou com casos envolvendo tráfico de drogas e contrabando. Em entrevista, ele analisa o poder de fogo dessas facções e o impacto de classificar tais grupos como terroristas.
Contexto
O governo dos EUA designará o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras em 5 de julho. A medida foi anunciada por meio de um comunicado do secretário de Estado, Marco Rubio, publicado em 28 de julho.
Odilon ressalta que a soberania brasileira permite reconhecer ou não tais organizações como terroristas. Segundo ele, a classificação pode sinalizar cooperação internacional sem impor obrigação automática ao Brasil.
Ele cita exemplos históricos de violência e sequestros envolvendo PCC e CV, apontando que as facções possuem estrutura e alcance transnacional. O juiz enfatiza que o combate exige atuação integrada de forças de segurança.
Implicações
Segundo o ex-magistrado, a discriminar essas facções não elimina a criminalidade organizada, mas reduz sua atuação. Ele defende fortalecimento de polícia federal, cooperação internacional e investimentos em fronteiras para conter fluxos de drogas e armas.
O PCC já operava em diversos estados e no exterior, conforme Odilon, com ações de terrorismo político-administrativo para obter ganhos econômicos. O CV também mantém atuação expressiva em várias regiões do Brasil.
A entrevista reforça a visão de que o Brasil pode adotar medidas mais rígidas contra organizações transnacionais, sem abrir mão da soberania nacional. As autoridades brasileiras ainda avaliam próximos passos legais.
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