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Frei Betto pede misericórdia a quem colaborou com a ditadura e sofreu tortura

Frei Betto lança romance sobre tortura no regime militar e defende misericórdia a quem colaborou sob dor, discutindo memória histórica

O escritor Frei Betto, que lança livro sobre torturados no regime militar
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  • Frei Betto lança o romance O Voo da Locomotiva, segundo ele sobre o período da ditadura militar e os torturados no Brasil.
  • A protagonista Rosa, inspirada em Luz Arce, relata a trajetória de uma militante que coopera com a ditadura, caso similar ao de um trecho real da história.
  • Betto defende olhar misericordioso para quem colaborou sob tortura; ele classifica a cooperação deliberada como traição, e a colaboração forçada como compreensível frente à dor.
  • O livro usa cenas gráficas para mostrar o impacto da tortura e discute o uso de pessoas comuns pela repressão do regime.
  • O autor critica a falta de memória histórica no Brasil, enfatiza retorno ao trabalho de base e Educação Popular para evitar a relativização da ditadura.

Frei Betto lança o sexto livro da série sobre o período da ditadura militar brasileira, explorando as brutalidades do regime por meio de ficção. A obra, inspirada em histórias reais, investiga o que acontece quando militantes sob tortura passam informações aos seus algozes.

A narrativa se ancora na trajetória de Rosa Maria, personagem que relembra uma ex-guarda-costas de um governo estrangeiro que colaborou com a repressão. Betto, frade dominicano de 81 anos, não condena apenas a traição: busca compreender as pressões e o sofrimento que levam à cooperação sob tortura.

A obra traz cenas gráficas, incluindo casos de abuso sexual e tortura física, para mostrar o impacto da violência estatal. O foco está na chamada “hemorragia sem sangue” da delação, segundo a ficção que Betto desenvolveu a partir de relatos reais.

Betto afirma que a mensagem central é a complexidade humana em regimes de exceção. O livro utiliza a ficção para discutir dilemas morais, sem simplificar as escolhas sob extrema violência e sem negar a dor das vítimas.

O autor também critica lacunas na memória coletiva sobre a ditadura e alerta para o ressurgimento de discursos favoráveis ao regime. Em entrevista, ele aponta a importância de manter a memória histórica viva nas escolas e na sociedade.

A obra dialoga ainda com perguntas sobre responsabilidade histórica: como evitar que o medo e a dor repitam padrões repressivos no presente. Betto ressalta que o retorno ao contato com as bases populares é crucial para a compreensão do passado.

A narrativa se inspira na história real de Luz Arce, chilena que relatou sua colaboração com a ditadura de Pinochet. Betto usa esse referencial para inserir um debate sobre moralidade, dor e perdão dentro do choque entre esquerda e repressão.

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