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Impasse eleitoral na Colômbia gera tensão; mercado, porém, segue otimista

Impasse eleitoral na Colômbia gera tensão política, mas analistas veem otimismo nos ativos ante segundo turno entre De la Espriella e Cepeda

Impasse eleitoral gera tensão na Colômbia, mas mercado fica otimista, dizem analistas
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  • Os líderes da esquerda colombiana, Iván Cepeda e Gustavo Petro, não reconheceram os resultados que deram a Abelardo De la Espriella a vitória na votação de 31 de maio, mas o mercado avalia isso positivamente para o clima de investimentos.
  • Analistas afirmam que a declaração de Petro é grave e pode afetar a ordem institucional; ainda assim, esperam valorização dos ativos, com ações da Ecopetrol em alta e o dólar recuando para cerca de COP$ 3.600, além de possível queda de taxas entre 30 e 40 pontos-base.
  • O presidente da ANDI disse que o ataque ao sistema eleitoral justifica intervenção de garantias internacionais para assegurar eleições em paz; a associação também pediu acompanhamento externo para defender o processo democrático.
  • Especialistas apontam que o segundo turno será disputado, com De la Espriella ganhando ímpeto e Cepeda mantendo apoio do governo; há preocupação com aumento da polarização e tensões sociais.
  • Sobre transferência de votos, modelos indicam que De la Espriella pode ampliar vantagem no segundo turno, especialmente se receber votos de Valencia e parte de Fajardo; a participação eleitoral pode influenciar o resultado, com projeções apontando possibilidade de vitória do candidato com viés de investimento.

Iván Cepeda e Gustavo Petro, líderes da esquerda colombiana, não reconheceram os resultados que deram a vitória ao candidato de direita Abelardo De la Espriella na votação de 31 de maio. O mercado, no entanto, trataria a impasse como indicador positivo para o clima de investimento.

Analistas ouvidos pela Bloomberg Línea mostraram cautela quanto à postura dos líderes e destacaram que a gravidade da situação pode afetar a confiança institucional. O mercado, por ora, projeta valorização de ativos e apreciação de indicadores econômicos, ainda que persista a incerteza política.

Felipe Campos, da Alianza Valores, prevê alta nos ativos, com elevação das ações da Ecopetrol e recuo do dólar para níveis próximos de COP$ 3.600. Também comenta possibilidade de redução de taxas de 30 a 40 pontos-base, embora reforce que não há certeza absoluta.

O presidente da ANDI, Bruce Mac Master, afirmou que ataques ao sistema eleitoral justificariam intervenção de garantias internacionais para assegurar eleições em paz. A associação empresaria ressalta a necessidade de defesa institucional, diante de presumíveis abusos e irregularidades.

Para Carlos Arias, da Estrategia & Poder, ignorar o resultado eleitoral poderia aumentar a polarização e gerar riscos de violência. Ele citou ainda a participação de ministros e o caso de Armando Benedetti como aspectos relevantes a acompanhar nos próximos dias.

Daniel Velandia, da Credicorp Capital, aponta surpresa positiva nos mercados diante da vitória de De la Espriella. O analista antecipa reação inicial favorável e considera que o segundo turno pode confirmar o momentum do candidato de direita.

O que esperar do segundo turno?

No discurso de vitória, De la Espriella criticou Petro e o próprio processo eleitoral. A defesa da legitimidade do pleito é tema recorrente, mas a polarização é apontada como desafio para os próximos dias.

Arias afirma que o cenário pode exigir maior participação de organismos internacionais para acompanhar o pleito e reduzir tensões. O analista também ressalta que a política brasileira deve observar a evolução institucional na Colômbia.

Sergio Guzmán, da Colombia Risk, prevê disputa acirrada entre os dois candidatos no 2º turno, com De la Espriella jogando a seu favor o impulso político e Cepeda contando com a base governista. Ele alerta para possível aumento da polarização.

Para Guzmán, contestações de Petro e Cepeda podem ampliar a tensão social. O país estaria perto de não reconhecimento formal do resultado, o que poderia levar a protestos e maior instabilidade.

Transferência de votos e participação

Velandia estima que a redistribuição de votos de Valência e Fajardo, entre outros, possa favorecer De la Espriella no segundo turno. Segundo o analista, a transferência de votos pode ser determinante, especialmente se parte dos eleitores de outros candidatos migrar para o candidato de direita.

Carranza, da Aurora Macro Strategies, aponta que a não reconhecibilidade do resultado pelo governo de Petro pode influenciar o cenário político, com futuras negociações entre setores. Ainda assim, qualquer presidente enfrentará um Congresso fragmentado e exigente coalizões.

Campos, da Alianza Valores, cita projeção de transferência de votos baseada em levantamento de La Silla Vacía: De la Espriella poderia vencer com cerca de 51,5% ante 44,5% de Cepeda, caso ocorra redistribuição de votos de outros candidatos. A estimativa não considera novos eleitores.

Participação e cenários

Velandia destaca participação de quase 24 milhões de eleitores no pleito, com expectativa de variação no segundo turno. Em 2022, a participação foi de 58,2%, com um acréscimo de quase 1,2 milhão de votos na segunda rodada.

O cenário base mantém a hipótese de vitória de um candidato favorável aos investimentos, representado por De la Espriella. Analistas ressaltam que, independentemente do resultado, o país continuará diante de desafios para governar devido à fragmentação do Legislativo.

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