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Pesquisa aponta que maioria vê violência contra a mulher como crime mais grave

Pesquisa Datafolha mostra que violência contra a mulher passa a ser vista como crime mais grave no Brasil; 89% dizem ter aumentado nos últimos 12 meses

Violência contra a mulher, imagem ilustrativa
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  • 61% apontam violência contra a mulher como a forma mais grave de criminalidade, acima do tráfico de drogas (16%).
  • 89% avaliam que casos aumentaram nos últimos 12 meses; entre as mulheres, o índice chega a 94%.
  • 71% dizem que as mulheres correm mais perigo dentro de casa; entre mulheres de 16 a 24 anos, chega a 77%.
  • 74% das mulheres entrevistadas afirmaram já ter vivido alguma violência; as formas mais comuns são xingamentos (59%), ameaças (45%) e perseguição (43%).
  • 37% das vítimas não tomaram nenhuma atitude diante da agressão; apenas 19% das mulheres confiam muito na polícia para protegê-las, e 57% consideram as leis atuais insuficientes.

A violência contra a mulher passou a ser vista pela maioria dos brasileiros como a forma mais grave de criminalidade. A conclusão vem de uma pesquisa do Datafolha encomendada pelo Movimento Mulher 360 e divulgada nesta segunda-feira (1).

O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em capitais e regiões metropolitanas de todas as regiões, entre 6 e 11 de abril de 2026. Em resposta, 61% apontaram a violência contra a mulher como o crime mais grave, ante 16% para o tráfico de drogas.

A percepção é mais expressiva entre as mulheres: 73% citam a violência de gênero como o problema mais grave, contra 49% dos homens. Entre mulheres de 16 a 24 anos, o índice chega a 77%.

Dados da percepção e evolução

A maioria dos entrevistados (89%) acredita que os casos de violência contra a mulher aumentaram no último ano. Entre as mulheres, esse percentual sobe para 94%; entre os homens, fica em 83%.

Ainda segundo o estudo, 71% avaliam que as mulheres correm mais perigo dentro de casa do que fora dela. Os números dialogam com dados oficiais de feminicídios, que apontaram alta de 7,5% nos primeiros três meses de 2026 ante igual período de 2025.

Normas e violência psicológica

Embora haja reconhecimento da violência física, a pesquisa aponta normalização de agressões psicológicas e de controle. Metade dos entrevistados classifica como violência um marido impedir a esposa de sair sozinha, e 58% veem como violência o comportamento de controlar amizades.

A violência patrimonial também não é amplamente reconhecida: 58% entendem como violência o marido que controla o salário da esposa. Entre agressões físicas, 94% reconhecem como violência humilhar em público e 95% associam obrigar a relação sexual.

Vítimas e relatos

Em módulo respondido por 875 mulheres, 74% relataram já ter vivenciado alguma forma de violência. Xingamentos aparecem como a forma mais comum (59%), seguidos de ameaças de agressão (45%) e perseguição (43%).

Violência sexual também aparece no levantamento: 38% disseram ter sido tocadas ou agarradas sem consentimento, 25% relataram espancamento ou enforcamento, e 22% foram ameaçadas com armas.

Barreiras à denúncia

Quanto à reação ao ataque mais grave nos últimos 12 meses, 37% das mulheres disseram não ter tomado nenhuma atitude. A confiança nas instituições é baixa: apenas 19% confiam muito na polícia, contra 31% entre os homens.

A Lei Maria da Penha é conhecida por 97% dos entrevistados, mas apenas 57% sabem o número de telefone para denunciar violência. Em situações de violência, há canais de apoio como Ligue 180, 24 horas, e o 190 para emergências.

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