- O editor do New York Times, Arthur Gregg Sulzberger, assumeu a liderança do veículo desde 2018, ajudando a expandir a atuação digital e chegando a 13 milhões de assinantes em 2026.
- Em Paris, durante congresso da Associação Mundial de Editores de Notícias, ele alertou sobre a IA generativa como uma das maiores ameaças ao jornalismo e à democracia.
- Sulzberger disse que a internet está cheia de robôs e conteúdos de baixa qualidade, dificultando identificar a origem e a veracidade das informações.
- No Brasil, tramita no Congresso o Projeto de Lei 2.338/2023, que classifica IA por nível de risco, impõe controles a desenvolvedores e obrigações de transparência às empresas de tecnologia.
- O texto também discute direito autoral e autoriza proprietários de conteúdos a vetar treinamentos de IA; enquanto não houver regulamentação, a LGPD atua como base jurídica.
O editor do New York Times, Arthur Gregg Sulzberger, de 45 anos, lidera há anos a transição do jornalismo para o ambiente digital. Em 2018 assumiu o legado do pai e, desde então, ampliou a oferta de serviços do veículo sem abandonar a qualidade da matéria-prima. Em 2026, o NYT atingiu 13 milhões de assinantes.
Nesta segunda-feira, Sulzberger fez um diagnóstico sobre as ameaças da IA generativa à imprensa durante a abertura do congresso anual da Association Mundial de Editores de Notícias, na França. O editor discutiu impactos da IA na economia, no mercado de trabalho e no risco de ataques biológicos em larga escala.
A partir de trechos apresentados, ele afirmou que a internet está saturada de robôs e conteúdos de baixa qualidade, dificultando a veracidade das informações. Segundo Sulzberger, isso gera desconfiança generalizada e pode levar a um niilismo informativo, com consequências para a confiança pública.
Ele destacou que o avanço da IA, sem compensação às empresas jornalísticas, representa mais que uma revolução tecnológica: é uma ameaça ao jornalismo, um pilar da democracia. Perguntas centrais foram levantadas sobre quem cobrirá eventos no terreno, quem reportará crises de saúde e como evitar que informações falsas se tornem dominantes.
No Brasil, a regulamentação da IA tramita no Congresso. O Projeto de Lei 2338/2023, de autoria do Senado, já passou pelo Senado e aguarda parecer na Câmara dos Deputados. A proposta classifica sistemas de IA conforme o risco aos direitos fundamentais e impõe controles para áreas como saúde, educação, justiça e infraestrutura.
O texto também trata das obrigações das empresas de tecnologia com os usuários, incluindo regras de transparência. Sobre direito autoral, o PL permite que proprietários de conteúdos protejam seu uso no treinamento de IA, embora entidades da indústria cultural busquem maiores garantias contra uso não autorizado.
Enquanto a regulamentação não é votada, a LGPD funciona como referência jurídica no país. Disposições da lei asseguram aos titulares de dados medidas contra desvirtuamento do tratamento de informações, até que normas específicas entrem em vigor.
Em ano de eleição, o uso da IA apresenta um desafio considerável para o Brasil. Autores destacam que a legislação não acompanha a velocidade das inovações, o que exige maior responsabilidade do eleitor. Apesar de riscos a democracias e da influência de grandes plataformas, a imprensa profissional continua sendo um ativo público relevante.
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