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Brecha em decreto de big techs pode criminalizar opinião, afirma especialista

Especialista afirma que decreto para big techs pode confundir opinião com crime, ampliando poderes da ANPD e intervenção sobre publicidade

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  • O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou dois decretos para regulamentar atuação de plataformas digitais, com base em decisão do STF sobre a Lei de 2014.
  • Os decretos detalham obrigações de remoção de conteúdo e atribuem à ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) poderes de fiscalização.
  • O especialista Eduardo Felipe Matias afirma que o decreto pode criar uma brecha entre crime e opinião, ampliando disputas sobre o alcance da norma.
  • Ele aponta uma segunda brecha: a possibilidade de a Advocacia-Geral da União questionar publicidades enganosas quando contraria políticas públicas, podendo levar plataformas a retirar conteúdos.
  • A conversa ocorreu em entrevista à CNN e está em atualização.

Em entrevista à CNN, o especialista em Direito Internacional Eduardo Felipe Matias afirmou que o novo decreto, que detalha regras para as big techs, pode criar uma linha tênue entre crime e opinião. A discussão envolve o papel da ANPD na fiscalização das plataformas.

Matias ressaltou que a principal questão é o alcance do decreto, pois ele concede à ANPD poderes que, na prática, dependeriam de leis complementares. O tema, segundo ele, merece análise cuidadosa para não ampliar atribuições sem respaldo normativo.

Para o especialista, é necessário debater crimes contra a democracia, considerados graves. O ponto crítico, porém, é a possibilidade de esses crimes serem confundidos com afirmações de opinião no ambiente on-line.

Outra brecha identificada envolve a atuação da AGU em casos de publicidade potencialmente enganosa quando contrária a políticas públicas. Abertura para questionar conteúdos poderia redundar em obrigatoriedade de retirada de publicações.

Diante disso, o debate gira em torno de limites entre fiscalização de desinformação, proteção de políticas públicas e garantia de expressão. Segundo o analista, ajustes legais são essenciais para evitar abusos de autoridade.

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