- O executivo Marcelo Maia Souza Marques, contador de confiança do ex-sócio e ex-CEO Augusto Lima, atuou por anos no Master em pagamentos a empresas que distribuíam comissões a políticos.
- Mensagens de WhatsApp divulgadas mostram que Marques tinha entre as funções realizar pagamentos para a Mídias Promotora, empresa suspeita de emitir notas frias para justificarissões do Rio Previdência.
- Na época das mensagens, Marques era funcionário do banco, atuando no setor de contas a pagar, e já trabalhava com Lima desde antes da privatização da Ebal.
- O contexto envolve o Banco Master, o cartão Credicesta e a privatização da Ebal, com Lima e Marques ligados ao negócio lucrativo que utilizava o crédito consignado.
- Entre 2022 e 2025, a Mídias Promotora recebeu 126 milhões de reais do Master; o banco repassou 270 milhões a Terra Firme Bahia, enquanto Marques recebeu 3,6 milhões na pessoa física.
O executivo Marcelo Maia Souza Marques atuou por anos como contador de confiança de Augusto Lima, sócio e ex-CEO do Master. A Polícia Federal o identifica como operador de pagamentos a empresas que distribuíam comissões a políticos. As apurações envolvem o grupo ligado a Daniel Vorcaro.
Segundo a investigação, Marques, que na época trabalhava no departamento de contas a pagar de um banco, realizava pagamentos para empresas como a Mídias Promotora. A operação faz parte da fase Compliance Zero, vinculada a repasses de comissões a pessoas associadas ao Rio Previdência.
A Mídias Promotora é suspeita de emitir notas frias e simular serviços para justificar valores elevados recebidos, vinculados a investimentos do Rio Previdência em letras financeiras do Banco Master. O instituto investiu cerca de R$ 3,7 bilhões no Master por meio de fundos.
Conexões familiares e profissionais
Conforme o material obtido pela imprensa, Marques aparece nas conversas de Vorcaro como responsável por pagamentos a empresas do mesmo grupo, com o codinome Marcelo Terra Firme, ligado a Lima na Bahia. Lima e Marques trabalham juntos desde a época anterior à privatização da Ebal, estatal baiana, quando Lima liderava associações de aposentados.
Marques também tem relação com a Bahia por atuar na PWC em 2013, quando a firma foi contratada para atestar a viabilidade econômica da Ebal, controladora da rede Cesta do Povo. A privatização ocorrera em meio a um cenário de prejuízos da estatal.
Operação e impactos
Durante a investigação, pontua-se que o Master recebeu recursos de indivíduos ligados ao Rio Previdência e repassou valores a firmas vinculadas a Lima. Entre 2022 e 2025, a Mídias Promotora recebeu cerca de R$ 126 milhões do Master, conforme demonstrações fiscais, enquanto o Master repassou R$ 270 milhões para a Terra Firme Bahia, em dois CNPJs distintos.
Na esfera pessoal, Marques teve remuneração de aproximadamente R$ 3,6 milhões entre 2022 e 2025, ingressos que constam como pagamento ao longo do período, segundo a coluna.
Reações e contatos
A assessoria de comunicação de Augusto Lima não se manifestou até o momento. Não foi possível estabelecer contato direto com Marcelo Marques, porém o espaço permanece aberto para manifestação das partes envolvidas. As informações são baseadas em documentos da Polícia Federal e reportagens associadas.
Entre na conversa da comunidade