- A investigação sobre a morte de dois caminhoneiros no deslizamento da Serra do Mar, na BR-376 em 2022, será reaberta; o desarquivamento foi aceito pela Justiça e pelo Ministério Público do Paraná, com nova análise técnica em até 60 dias.
- A perícia apresentada pelas famílias aponta o deslizamento como previsível e evitável.
- A tragédia, ocorrida em 2022, atingiu seis caminhões, três carros e 13 pessoas; duas vítimas morreram.
- O laudo revela que havia estudos sobre instabilidade geológica, monitoramento de chuva em tempo real e parâmetros técnicos que poderiam indicar risco extremo, além de questionar protocolos após o primeiro deslizamento no mesmo dia.
- Pode haver responsabilização penal se ficar comprovado conhecimento prévio do risco e ausência de medidas preventivas; a dupla responsabilidade pela rodovia não comentou o processo até o momento.
O inquérito policial que apura a morte de dois caminhoneiros após o deslizamento de terra na Serra do Mar, em 2022, será reaberto. O pedido foi feito pelas famílias das vítimas e aceito pela Justiça e pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR). Em 60 dias, será realizada uma nova análise técnica sobre as causas do acidente e sua previsibilidade.
O desastres atingiu seis caminhões, três carros e 13 pessoas. Na época, não houve apontamento de culpados na esfera criminal. As fortes chuvas da região contribuíram para o desmoronamento, que ocorreu no quilômetro 669 da BR-376, em meio a interrupções no tráfego.
Horas antes das mortes, houve ruptura de terra que levou ao bloqueio parcial da pista. A perícia aponta que esse deslizamento pode ter contribuído para a queda da encosta pouco tempo depois da reabertura da via aos veículos.
Novo material técnico
A defesa das famílias sustenta que o laudo recente traz elementos que não estavam disponíveis no momento do arquivamento do procedimento. O documento indica possibilidade de previsibilidade do evento e questiona os protocolos adotados após o primeiro deslizamento no mesmo dia, inclusive pela ausência de relatório técnico formal para liberar a pista.
A partir dessas evidências, os advogados recomendam a reabertura da investigação e a atuação de um processo criminal para apurar responsabilidades pela rodovia. Segundo Thiago Mattos, advogado das famílias, o estudo pode alterar significativamente a compreensão das causas do desastre.
Possível responsabilização
Caso haja confirmação de conhecimento prévio do risco e falhas na prevenção, pode haver responsabilização penal. A indicação é de que a investigação seja séria, aprofundada e baseada em nova prova técnica para esclarecer se o desastre poderia ter sido evitado.
A Arteris – Autopista Litoral Sul, responsável pela rodovia, não comentou o andamento de processos. A ANTT afirmou que se pronunciará apenas nos autos, e a Polícia Civil não retornou até o fechamento desta reportagem.
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