- Mais de metade dos brasileiros de 16 a 24 anos se definem conservadores (68% entre homens, 62% entre mulheres), mas esse percentual fica abaixo do observado entre faixas etárias mais velhas.
- O estudo da Quaest, solicitado pelo More in Common, sugere que o conservadorismo não é estritamente geracional; há aceitação de certos conteúdos políticos e resistência a algumas identidades políticas.
- Em temas como homossexualidade e feminismo, há paradoxos: muitos apoiam a adoção por casais gays, mas muitos defendem que a homossexualidade seja vivida de forma reservada, além de resistência a ideias do feminismo e à “ideologia de gênero” na escola.
- O bolsonarismo aparece com mais força entre homens jovens (42% dos homens de 16 a 24) do que entre mais velhos, ainda que o conservadorismo em geral varie pouco entre as idades.
- A pesquisa ouviu cerca de 10 mil brasileiros em domicílios, entre janeiro e fevereiro de 2025, com 14 perguntas sobre gênero, sexualidade e política; diferenças com estudos internacionais são atribuídas, em parte, aos métodos (presenciais no Brasil vs virtuais no exterior).
A pesquisa brasileira mostra que a geração Z não é unicamente mais conservadora que as demais, mas apresenta nuances. Entre jovens de 16 a 24 anos, 68% dos meninos e 62% das meninas se identificam com ideias conservadoras. Ainda assim, esses índices não superam os registrados entre faixas etárias mais velhas.
O estudo aponta que essa juventude ocupa posição intermediária no debate sobre costumes. Há maior apoio à igualdade de direitos para as mulheres, mas resistência a rótulos como feminismo e a algumas minorias entre homens jovens persiste. A leitura é de que o conservadorismo não é exclusivo de uma geração.
Outra leitura é que meninos jovens tendem a registrar maior bolsonarismo do que homens mais velhos, ainda que a identificação com a direita varie pouco entre grupos etários. Entre homens de 16 a 24, 42% se dizem bolsonaristas, contra 35% de 25 a 54, 29% de 55 a 64 e 25% acima de 65 anos.
Como a pesquisa foi feita
O levantamento, realizado pela Quaest a pedido do More in Common, ouviu quase 10 mil brasileiros em domicílios entre janeiro e fevereiro de 2025. Foram 14 perguntas centradas em gênero, sexualidade e política, como parte de o Brasil Invisível.
Os dados indicam que jovens aprovam alguns direitos, como a adoção por casais gays, mas também adotam posições que questionam a expressão pública de identidades, como a ideia de que a homossexualidade deva acontecer apenas em privado.
Sobre o feminismo, cerca de metade dos jovens concorda com críticas à ideologia, além de uma parcela relevante discordar de afirmações que associam o feminismo a ódio aos homens ou ameaça à família. Perguntas sobre gênero também mostraram resistência a discutir ideologia de gênero em escolas.
Os entrevistados concordaram com a adoção de medidas de proteção contra o bullying e, ao mesmo tempo, mostraram ceticismo em relação a políticas de identidade de gênero nas instituições escolares. A equipe ressalta que as respostas refletem atitudes complexas, não um único posicionamento político.
Interpretações e limitações
Helena Vieira, consultora do estudo, afirma que o conservadorismo aparece como uma gramática política mais do que como uma marca geracional. Ela aponta que atitudes pró-igualdade podem coexistir com resistência a movimentos políticos específicos.
Especialistas destacam que diferenças com pesquisas estrangeiras podem ocorrer por metodologias: entrevistas presenciais no Brasil, em vez de digitais, podem captar faixas de população diferentes e introduzir vieses. Estudos internacionais costumam adotar plataformas virtuais com perfis distintos.
O grupo líder do More in Common e pesquisadores ressaltam que os resultados não devem ser vistos como definitivos. A relação entre valores presentes hoje e atitudes futuras da população ainda requer estudos que acompanhem mudanças ao longo do tempo, especialmente em pessoas entre 25 e 34 anos.
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