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Geração Z no Brasil: jovens menos conservadores que os mais velhos, diz pesquisa

Pesquisa brasileira mostra que mais da metade dos jovens de dezesseis a vinte e quatro se definem conservadores, mas índice fica abaixo das faixas mais velhas, possivelmente pela metodologia

Cinco jovens encostados em parede texturizada cor de ferrugem, todos olhando para seus celulares. Eles vestem roupas casuais de verão, com shorts, camiseta, saia longa e colete jeans.
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  • Estudo da Quaest, solicitado pelo More in Common, aponta que 68% dos homens e 62% das mulheres de 16 a 24 anos no Brasil se definem conservadores.
  • Mesmo assim, esses índices são menores do que os observados entre gerações mais velhas.
  • Pesquisas no exterior costumam usar entrevistas virtuais; no Brasil, as entrevistas foram presenciais, o que pode influenciar os resultados.
  • Especialistas destacam que métodos online podem privilegiar participantes conectados e com interesse no tema, gerando vieses.
  • Os autores ressaltam que a pesquisa brasileira não é definitiva e não indica que a masculinidade extremada seja fenômeno de massa entre jovens.

O estudo, conduzido pela Quaest a pedido do instituto More in Common, aponta que a maioria dos brasileiros de 16 a 24 anos se identifica como conservadora. Entre homens, 68%; entre mulheres, 62%. Contudo, esses índices não ultrapassam os observados entre faixas etárias mais velhas.

A pesquisa utilizou entrevistas presenciais para alcançar diferentes perfis da população, diferentemente de muitos levantamentos estrangeiros que recorrem a entrevistas virtuais. A equipe afirma que esse método pode influenciar os resultados e reduzir vieses de participação.

Metodologia brasileira e comparação internacional

Pablo Ortellado, diretor-executivo do More in Common e professor da USP, ressalta que pesquisas online tendem a capturar públicos mais conectados e com maior interesse no tema. Ele aponta possível viés de seleção e limitações de acesso à internet em diversas regiões e classes sociais.

O levantamento internacional, como o do King’s College com Ipsos, ouviu milhares de pessoas em 29 países, incluindo o Brasil, e sugere que a geração Z é mais conservadora frente aos millennials. Contudo, os pesquisadores alertam que as conclusões não representam a população geral e dependem da amostra.

Interpretações e nuances

Segundo os pesquisadores, o fenômeno global não pode ser visto como retrato fiel da sociedade brasileira. Elementos midiáticos, como conteúdo de plataformas digitais e movimentos de masculinizacao online, podem criar impressão de maior penetração entre jovens do que a realidade demonstra.

Eles destacam que certos cenários, embora relevantes, representam nichos com maior visibilidade na internet. Não se trata de negar preocupações, mas de reconhecer que a amostra digital pode não refletir toda a juventude.

Limites e próximos passos

Os autores destacam a necessidade de mais estudos para entender se hoje jovens entre 25 e 34 anos já foram menos conservadores quando tinham 16 a 24, ou se o valor muda com o tempo. A pesquisa brasileira ainda não é definitiva sobre o tema e exige novos levantamentos.

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