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Como funciona a sorveteria do MST em São Paulo

Sorveteria do MST, em região gentrificada de São Paulo, combina fruta orgânica de assentamentos com preço elevado e discurso político

Sorveteria do MST em São Paulo: preços nada populares. (Foto: MST/Priscila Ramos)
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  • MST inaugura a sorveteria Gelado do Campo na Barra Funda, vendendo bolas artesanais a R$ 13 feitas com frutas de assentamentos da reforma agrária.
  • A loja se apresenta como a primeira sorveteria do movimento, resultado de parceria de quatro anos entre o MST e a Escola de Sorvete, do chef Francisco Sant’Ana.
  • O cardápio mistura sabores regionais e mensagens políticas, com bandeira do MST e da Venezuela no salão; o preço pode chegar a R$ 52 para uma família de quatro.
  • A abertura foi anunciada como “soft launching”; presentes incluíram figuras da esquerda e influenciadores, enquanto vídeos mostraram salão apenas parcialmente cheio.
  • O MST já atua com o Armazém do Campo, livraria de esquerda, e planeja expandir a sorveteria; críticos apontam contradições entre a imagem popular e o custo para o entorno.

O MST abriu uma sorveteria na região da antiga Cracolândia, em São Paulo, na Barra Funda. A Gelado do Campo oferece bolas artesanais a R$ 13, feitas com frutas orgânicas de assentamentos da reforma agrária. A iniciativa é apresentada como a primeira sorveteria do movimento.

A parceria envolveu o MST e a Escola de Sorvete, do chef Francisco Sant’Ana, ao longo de quatro anos. Gilmar Mauro, da coordenação nacional, classifica o projeto como uma “batalha política” para defender frutas de verdade contra sorvetes industrializados. O local opera em um bairro de baixa renda vizinho a áreas de transformação urbana.

O cardápio mescla sabores regionais e temáticas militantes. Entre opções há abacaxi com capim-santo e o sabor Romeu e Romeu, substituição da tradição goiabada com queijo. A decoração exibe a bandeira do MST e uma referência à Venezuela chavista, o que reforça o tom político da loja.

A inauguração foi anunciada com o termo soft launching, termo comum em publicidade para testar o público antes do lançamento oficial. Participaram da celebração figuras da esquerda, como o deputado Eduardo Suplicy, e convidados que geraram conteúdo para redes sociais.

Entre o público, predominaram influenciadores e visitantes de áreas criativas; moradores da região não foram o foco principal da festa. Em vídeo divulgado, o salão parece ter ocupação abaixo do esperado, sugerindo discrepância entre presença online e presencial.

A imagem divulgada pelo MST mostra outra leitura: uma cena simples de venda de picolé sob uma tenda, associada à ideia de acessibilidade. A propaganda contrasta com o funcionamento da sorveteria, que oferece gelato em casquinha a preços moderados para o público externo.

No entorno, o MST mantém o Armazém do Campo, livraria e loja de produtos agroecológicos, reafirmando uma estratégia de emplacar marcas associadas à agroecologia. A organização já sinaliza planos de expandir a rede com novas unidades em outras regiões.

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