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Nardes afirma que sem governança Brasil caminha para o colapso

TCU alerta que sem centro de governo, o Brasil enfrenta desperdício de recursos e risco de colapso na saúde, educação e Previdência

Ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes - (crédito: Divulgação/ TCU )
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  • Augusto Nardes, ministro do Tribunal de Contas da União, afirma que a falta de governança entre ministérios e níveis de governo prejudica a eficiência de saúde, educação, Previdência e programas sociais.
  • Ele defende a criação de um Centro de Governo na Casa Civil para monitorar políticas públicas, sincronizar ações e antecipar riscos.
  • Auditorias do TCU apontam falhas na Atenção Primária à Saúde, monitoramento de beneficiários do Bolsa Família e gestão de recursos; no Distrito Federal, por exemplo, apenas 58% dos recursos disponíveis foram executados.
  • Dados citados indicam que cerca de 5 milhões de jovens não são localizados no Brasil e 7,3 milhões de crianças beneficiárias do Bolsa Família não recebem acompanhamento de saúde.
  • O TCU enfatiza a importância da prevenção por meio de auditorias operacionais desde 2012; o órgão trabalha para ampliar o monitoramento e reduzir desperdícios, ressaltando a necessidade de governança de Estado.

O ministro Augusto Nardes, integrante do Tribunal de Contas da União desde 2005 e ex-presidente da Corte, aponta a falta de governança como risco grave para o Brasil. Em entrevista ao Correio, ele sustenta que a coordenação entre ministérios, estados e municípios é essencial para que os recursos cheguem à população.

Segundo Nardes, auditorias recentes do TCU revelam falhas na atenção primária à saúde, monitoramento de beneficiários do Bolsa Família e gestão de recursos. A ausência de integração de dados agrava a dificuldade de identificar riscos e corrigir falhas antes que se agravem.

Centro de Governo como solução

O ministro defende a criação de um Centro de Governo vinculado à Casa Civil para monitorar políticas públicas. Sem essa estrutura, afirma, o Estado perde eficiência na gestão de aproximadamente 15 milhões de servidores. A gestão integrada seria medida para evitar desperdícios.

O TCU, segundo ele, iniciou auditorias operacionais em 2012 para fortalecer a prevenção de falhas. Hoje o tribunal acompanha indicadores de governança de mais de 380 instituições, buscando corrigir rumos antes de perdas dinheiro público.

Panorama de governança e impactos

Nardes avalia que avanços ocorreram nos governos Temer e Bolsonaro, mas a implantação do Centro de Governo depende de continuidade entre governos. Ele afirma que mudanças frequentes dificultam estratégias nacionais de longo prazo.

Apesar de avanços, o ministro aponta que muitos ministérios ainda carecem de coordenação central. A estratégia defendida passa pela estabilidade de servidores e por modelos internacionais de governo, para evitar improviso e falhas de gestão.

Desafios na saúde, Previdência e educação

O ministro cita falhas na mobilização de recursos da saúde e na educação, com fragilidades de monitoramento. Em Brasília, a fila de exames é apontada como reflexo de saúde desintegrada, com pacientes aguardando longos períodos para atendimento.

Documentos do TCU sobre Previdência e Bolsa Família mostram quadro de monitoramento quase inexistente. Em ministérios, há poucos servidores dedicados a acompanhar regras de saúde para milhões de famílias, impedindo ações eficazes.

Governança, obras públicas e riscos financeiros

Nardes destaca redução de obras paradas por meio de planejamento e de uma Secretaria de Consensualidade para agilizar decisões. Em termos financeiros, aponta falhas de sinalização de risco no BRB e no Banco Master, com auditorias em andamento.

Ele afirma que a transversalidade entre ministérios é o principal gargalo federal. O TCU mantém atuação técnica e independente, oferecendo suporte a prefeituras para embasar decisões com embasamento técnico.

Carreira, pressões e futuro

O ministro relata pressões durante as pedaladas fiscais de 2016 e afirma que a independência do TCU permitiu ações técnicas de controle. O órgão busca evitar fraudes com foco em prevenção, segundo ele.

Sobre o futuro, Nardes prevê saída do TCU entre este ano e o próximo. Ele pretende continuar promovendo a governança pública fora do tribunal e já lançou o livro Governança é Esperança, destacando a importância de planejamento a longo prazo.

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