- A Polícia Federal pretende pedir aos Estados Unidos a quebra de sigilo do fundo Havengate Development Fund, usado para financiar o filme Dark Horse sobre Jair Bolsonaro.
- Uma das suspeitas é de que os recursos tenham bancado despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e possível tentativa de coação de autoridades brasileiras por meio de aliados de Donald Trump.
- O fundo, administrado por Paulo Calixto, teria recebido parte dos cerca de 61 milhões de reais para a produção, com recursos vindos de Entre Investimentos e Participações, empresa ligada ao dono do Banco Master, e direcionados ao Texas.
- A PF planeja usar a Difusão Prata da Interpol para apurações relacionadas ao caso Master, com três caminhos possíveis: integrar as investigações ao processo do Master, manter sob relatoria de Moraes ou distribuir aleatoriamente a outro ministro do STF.
- A abertura de novo inquérito depende de aval do STF e da cooperação da Justiça dos Estados Unidos; Eduardo Bolsonaro vive nos EUA desde 2025 e é réu em ação no STF por coação.
A Polícia Federal pretende solicitar aos Estados Unidos a quebra de sigilo do fundo Havengate Development Fund, que teria recebido recursos de um ex-banqueiro. A finalidade é investigar se parte desses recursos financiou o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se houve uso para despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior. A ação envolve cooperação entre as autoridades brasileiras e a Justiça dos EUA, com aval necessário.
A PF aponta que os recursos teriam sido destinados ao fundo no Texas, para o financiamento da produção. O dinheiro seria controlado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro, e a administração do fundo ocorreria por meio da Havengate Development Fund. Parte dos recursos envolve a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada ao dono do Banco Master.
A investigação ocorre no contexto de apurações sobre o Master e ações associadas a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, informou em entrevista que há interesse em instaurar um inquérito para apurar o envio de recursos de Vorcaro aos EUA com esse objetivo. A depender da manifestação da PGR, o caso pode ser encaminhado ao STF, à Justiça competente ou distribuído entre os ministros do tribunal.
Novo inquérito e caminhos possíveis
A PF descreve três cenários para o andamento das apurações: integrar o tema ao caso do Master, sob relatoria de André Mendonça; manter sob relatoria de Alexandre de Moraes, que conduz investigações sobre Eduardo Bolsonaro; ou distribuir a investigação entre outros membros do STF. O STF já recebeu pedidos para incluir Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro em desdobramentos do caso.
Para a quebra de sigilo, a PF aguarda a autorização da Justiça dos Estados Unidos e a cooperação necessária das autoridades locais. A iniciativa também envolve a possibilidade de utilização da Difusão Prata da Interpol, destinada a localizar bens de investigados, em paralelo a demais apurações ligadas ao Master.
Contexto do financiamento e reação
O fundo Havengate Development Fund teria recebido parte dos cerca de 61 milhões de reais destinados à produção. Documentos indicam que Calixto mantém vínculos com Eduardo Bolsonaro, inclusive em registros públicos de 2023. O fundo foi criado em dezembro de 2020 e o caso envolve ações que variam entre financiamento de produção e questões de residência do ex-deputado no exterior.
Resposta de Flávio Bolsonaro, na época, mencionou que os aportes não seriam destinados a Eduardo e que o financiamento ocorreria por meio de um fundo específico da produção. Calixto, por sua vez, não comentou publicly até o momento. A PF continua analisando representações recebidas e decidirá sobre o encaminhamento institucional das investigações.
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