- Pesquisa do Instituto Sivis, realizada em abril com 1.109 entrevistados, aponta que 57,5% dos brasileiros acreditam que acusar publicamente o STF de prejudicar a democracia é proibido.
- Em 2023, esse índice era de 35%.
- A explicação envolve acirramento da polarização, embates entre STF e Legislativo e cobertura jornalística que deixa qualquer crítica à Corte com risco.
- O estudo também mostra que 61,7% acreditam ser proibido criticar publicamente figuras públicas, refletindo medo de censura, processos ou cancelamento digital.
- A hipótese é que o nível de escolaridade influencia a tendência: 26,4% entre os menos escolarizados são minimalistas, subindo para 50,3% entre quem tem ensino superior completo; entre 18 e 29 anos, esse perfil é de 50%.
A maioria dos brasileiros passa a entender como proibida a crítica pública ao STF, segundo levantamento recente. A pesquisa, realizada pelo Instituto Sivis em abril com 1.109 pessoas, aponta que 57,5% consideram que acusar publicamente a Corte de prejudicar a democracia é vedado no país. Em 2023, o índice era de 35%.
Segundo a pesquisadora Sara Clem, o crescimento não decorre apenas de conhecimento técnico, mas do acirramento da polarização. Ela cita embates entre STF e Legislativo, investigações sobre desinformação e ampla cobertura jornalística como fatores que elevam a percepção de risco ao se criticar a Corte.
A pesquisadora aponta ainda que o medo de censura aumenta entre quem acredita que o STF fragiliza a democracia. Ela cita casos de parlamentares e cidadãos investigados após críticas à Corte, reforçando a ideia de que críticas podem ter desdobramentos legais.
Contexto político e institucional
O professor Fernando Schüler, do Insper, afirma que a percepção de censura reflete episódios recentes envolvendo liberdade de expressão no país. O receio de se manifestar cresce diante de censuras, bloqueios de perfis e ações contra jornalistas e autoridades que criticaram autoridades.
Schüler ressalta que não é a crítica a toda autoridade que gera esse efeito, mas a alguns atores específicos. Ele cita casos recentes como exemplos de descontentamento com medidas que poderiam ameaçar o equilíbrio entre poder público e sociedade civil.
A pesquisa aponta como esse cenário pode afetar a ideia de regime republicano, onde a separação entre quem ocupa função pública e a estrutura do Estado deve prevalecer. Segundo o pesquisador, a distorção desse equilíbrio pode aproximar o país de padrões autoritários.
Perfil dos respondentes e padrões de linguagem
Ainda segundo o Sivis, 61,7% dos entrevistados entendem ser proibido criticar publicamente figuras públicas. A pesquisadora Sara Clem associa o dado ao receio de sofrer censura, processos ou cancelamento digital, acentuado por episódios de alto impacto nos últimos anos.
Clem observa que pessoas com maior escolaridade tendem a aceitar mais restrições ao discurso. Entre os menos escolarizados, 26,4% defendem limitações; entre os com ensino superior completo, esse percentual sobe para 50,3%.
O levantamento também revela variação geracional: 50% dos jovens entre 18 e 29 anos defendem limites à liberdade de expressão. Segundo Clem, a intensa discussão nas redes sociais pode explicar esse comportamento entre os mais jovens.
Entre na conversa da comunidade