- Fernando Morais, na Feira do Livro em São Paulo, disse que biografou o Lula “de carne e osso”.
- Morais é amigo de Lula desde a década de setenta e participou, como deputado, das greves do ABC.
- Ele afirmou que Lula é um personagem que muda e brinca com a metamorfose ambulante, diferente de Tancredo Neves, considerado mais linear.
- O autor citou a ideia de que um bom biógrafo não pode odiar nem se apaixonar pelo objeto literário, mesmo mantendo distanciamento.
- Morais contou que Lula, após a eleição, convidou-o para tomar café da manhã e que os melhores momentos para entrevistas são em voos longos, sem interlocutores, destacando que Lula é humano, com erros e acertos.
Fernando Morais participou neste sábado (6) da Feira do Livro no Pacaembu, em São Paulo, para falar sobre sua trajetória como biógrafo e sobre o Lula de carne e osso, diferente do que ele chama de personagem literário. A visita ocorreu durante a programação do evento e contou com a mediação de Eduardo Sombini, da Folha.
O autor, amigo de Lula desde a década de 1970, afirmou que o ex-presidente é uma figura em constante transformação, ao contrário de figuras históricas mais lineares. Morais ressaltou que o Lula real brinca consigo mesmo e não se prende a uma imagem fixa. O debate se voltou para a relação entre biografia e pessoa viva.
Morais lembrou sua própria trajetória como biografista de outras personalidades, como Olga Benário Prestes, Assis Chateaubriand e Paulo Coelho, além de manter uma trilogia dedicada a Lula. O segundo volume da obra sobre o ex-presidente foi lançado neste ano pela Companhia das Letras, mantendo o tom crítico que acompanha o jornalista.
Durante a conversa, o escritor citou uma máxima de um colega biógrafo: o distanciamento é essencial ao bom trabalho. O mediador leu trechos que destacaram a dificuldade de escrever sobre figuras vivas, mantendo o equilíbrio entre apuração e empatia. Morais afirmou que o retrato literário pode revelar virtudes e imperfeições.
Morais destacou ainda a participação dele nas greves do ABC, nos anos 1970, quando atuava como deputado e era próximo de Lula. O biógrafo comentou ter sido contrário à criação do PT, temendo desarmar a frente ampla contra a ditadura, e reconheceu que a história acabou provando que Lula tinha razão.
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