- O Partido Civil Contratual, bloco pró-europeu de Nikol Pashinyan, venceu as eleições parlamentares e assegurou maioria simples.
- A aliança Strong Armenia, liderada por Samvel Karapetyan, ficou com 25% das cadeiras no parlamento.
- O resultado fortalece a aposta de Pashinyan em paz com o Azerbaijão e na normalização das relações com a Turquia, mantendo vínculos com a União Europeia.
- A União Europeia elogiou a tendência pró-europeia de Armenia; a Rússia expressou decepção e houve acusações de campanhas de desinformação a favor de candidatos pró-Rússia.
- Pashinyan afirmou que Armenia continuará buscando relações equilibradas entre o Ocidente e a Rússia, e que o foco será desmontar o “sistema oligárquico-criminal”; não houve maioria para um referendo constitucional sobre Nagorno-Karabakh.
Armenia realizou eleições parlamentares que consolidaram a guinada pró-Europa do país. A legenda do atual premier Nikol Pashinyan, Partido Contrato Civil, conquistou a maioria simples, enquanto a aliança Strong Armenia, liderada pelo empresário Samvel Karapetyan, ficou com cerca de um quarto das cadeiras.
O resultado reforça a agenda de Pashinyan, que busca aprofundar a integração com a Europa e avançar acordos de paz com o Azerbaijão, além de normalizar relações com a Turquia. A vitória é recebida com cautela no Kremlin, que tem pressionado pela continuidade de laços mais fortes com Moscou.
Pashinyan afirmou, em coletiva na sede da campanha, que o povo escolheu paz, prosperidade regional e cooperação, e que esperava respostas positivas de Turquia e Azerbaijão. Ele reiterou a intenção de manter a participação na União Econômica Eurasiática, ao lado de iniciativas ocidentais.
A apuração, que durou até a noite, mostrou a vitória de Cavalo de Troia para a oposição: a Strong Armenia manteve uma posição expressiva, mas sem alcançar maioria. Analistas indicam que a votação refletiu cansaço com o conflito de Nagorno-Karabakh e desejo de oportunidades econômicas.
A votação ocorre dois anos após a derrota de Armenia em Nagorno-Karabakh para o Azerbaijão, em 2023, evento que afetou a popularidade de Pashinyan junto a parte da população. O resultado, segundo observadores, reduz a influência direta de Moscou sobre o governo.
Ao longo da campanha, autoridades russas foram acusadas de tentar influenciar o pleito por meio de desinformação e movimentos de eleitores entre a Rússia e a Armênia. Moscou também registrou medidas restritivas para afetar setores como flores, peixes e brandy armênio.
No pós-eleição, Pashinyan prometeu avançar uma política externa equilibrada, sem abrir mão de relações com a Rússia. Ele sinalizou prioridades para o próximo mandato, incluindo reformas internas para desmontar o que chamou de sistema oligárquico criminal.
Open statements de apoio internacional não faltaram: representantes europeus destacaram a chance de Armenia seguir rumo a um “futuro europeu” e reforçaram o apoio a reformas estruturais, ainda que sem confirmar adesão imediata à UE.
A população de Yerevan mostrou diferentes leituras sobre o resultado: alguns esperam paz e estabilidade, enquanto outros enfatizam a necessidade de uma postura firme em relação ao legado de conflito e às conquistas econômicas previstas com a integração ocidental.
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