- Angela Pilotto discute a ideia de São Paulo como cidade que funciona 24 horas e as desigualdades de mobilidade entre quem trabalha, vive e usa a cidade.
- A cultura do automóvel, fortalecida ao longo do século XX, amplia horários e lugares de deslocamento, mas gera congestionamento, poluição e acidentes.
- Nem todos conseguem optar pelo transporte individual; o Metrô não atende toda a cidade, e a desigualdade econômica restringe escolhas entre carro, moto e transporte público.
- Em 2023, estudo Origem e Destino do Metrô sinalizou que houve inversão: viagens feitas de forma individual superaram as de transporte coletivo, aumentando o desafio de mobilidade.
- O cenário futuro aponta que o volume de viagens de automóveis não tende a diminuir com veículos elétricos, tornando essencial enfrentar os impactos e buscar soluções para a cidade que “nunca para”.
A capital paulista é conhecida por sua movimentação constante, de dia e de noite. A ideia de uma cidade que funcione 24 horas desperta debates sobre qualidade de vida, acesso aos serviços e quem pode realmente se beneficiar dessa dinâmica.
Angela Pilotto, professora da USP, alerta que a cidade não funciona como um bloco único. Existem diferentes grupos de moradores, trabalhadores e usuários, com desigualdades marcadas pela mobilidade e pelos horários de deslocamento.
A história de São Paulo envolve uma cultura fortemente orientada pelo automóvel. Isso, segundo a pesquisadora, ampliou possibilidades de deslocamento, mas também gerou congestionamentos, poluição e riscos de acidentes.
Desafios da mobilidade e desigualdades
No Brasil, políticas públicas do século XX fortaleceram o rodoviarismo, com o carro como motor da organização urbana. O automóvel traz flexibilidade, mas limita a qualidade de vida para quem não pode usar esse modo de transporte.
O Metrô, apontado como o melhor sistema de transporte coletivo, não atende toda a cidade. A periferia permanece sem acesso fácil, enquanto custos elevados reduzem opções para quem tem renda menor.
A desigualdade se agrava na prática: carros são mais confortáveis e rápidos, enquanto pedestres, ciclistas e motociclistas enfrentam maior risco de ferimentos em acidentes.
Olhando para o futuro da mobilidade
Em 2023, o estudo Origem e Destino do Metrô registrou a primeira inversão de participação entre viagens de transporte individual e coletivo, desde os anos 60. A tendência indica maior uso de veículos privados.
Especialistas indicam que a cidade enfrenta um desafio: manter o ritmo de automóveis sem ampliar congestionamentos. Veículos elétricos não devem, sozinhos, reduzir o problema.
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