- Em La Calera, perto de Bogotá, a seca levou a racionamento de água para consumo, cozinha e agricultura, enquanto o reservatório de Chingaza fornece cerca de setenta por cento da água potável da capital.
- Indega, subsidiária da Coca‑Cola Femsa, continuou a extrair água de sete nascentes para abastecer a água de nascente Agua Manantial, mesmo com o racionamento.
- Ativistas liderados por Javier Cifuentes e Herminia Cristancho enfrentaram intimidations e ameaças; em abril deste ano, a concessionária teve o rateio de extração de água reduzido de 3,23 para 1,9 litros por segundo, o número de nascentes reduzido de sete para quatro, e o prazo da concessão ficou de dez para cinco anos.
- Uma pesquisa interna indicou que a Indega recebia 120 pesos por metro cúbico para bombear água, enquanto as famílias locais pagavam entre 697 e 3.720 pesos; o estudo foi contestado por apresentar falhas técnicas.
- A decisão da Autoridade Ambiental Regional abriu debate nacional sobre uso da água; líderes dizem que a luta continua para impedir que águas do Chingaza sejam exploradas por multinacionais.
La Calera, cidade próxima a Bogotá, viveu uma seca severa que chegou a racionar água para consumo, cozinha e agricultura. A crise afetou moradores, que recorriam a fontes locais de chuva e a reservas da região.
O conflito ganhou de vez contornos públicos ao investigar uma planta da Indega, subsidiária da Coca-Cola Femsa, que continua a extrair água para o Água Manantial, abastecendo todo o país. A prática gerou indignação entre vizinhos.
Entre os afetados, há relatos de intensas pressões para que a empresa reduza o ritmo de extração. A comunidade aponta que, durante a estiagem, a demanda interna foi priorizada, enquanto o consumo residencial sofreu cortes.
A área de influência da usina fica numa região historicamente rica em água, no parque nacional Chingaza. O reservatório local responde por cerca de 70% da água potável de Bogotá, mas ficou severamente abaixo do previsto durante o período seco de 2023 a 2024.
Investigação aponta que a Indega teria acesso privilegiado à água, pagando valores menores pela extração comparado ao custo domiciliar. Enquanto famílias pagavam tarifas entre 697 e 3.720 pesos, a empresa pagava apenas 120 pesos por metro cúbico.
Concessão sob risco e mudança de uso
Movimentos comunitários e uma organização de advogados apoiaram a oposição à renovação da concessão da Indega, prevista para dezembro de 2024. Em 2024, líderes locais firmaram parceria com a organização Cajar para formalizar o processo.
Relatos de ameaças vieram à tona durante o movimento, com registro de violência contra ativistas locais. Apesar das dificuldades, a atuação comunitária ganhou apoio em nível regional e nacional, ampliando o debate sobre uso da água.
Em abril deste ano, o Conselho Autônomo Regional (CAR) decidiu renovar a concessão, mas com reduções no rateio de extração e alterações nas fontes exploradas. A decisão limita o volume e reduz o número de nascentes autorizadas.
A nova ordem reduz a taxa de retirada de 3,23 para 1,9 litros por segundo, diminui de sete para quatro o número de nascentes exploradas e permite suspensão temporária em caso de novo aperto hídrico. A medida é encarada como marco histórico.
Para Cristancho, líder da Associação de Povoações, a decisão abriu o debate nacional sobre água e recursos hídricos na região. Cifuentes, técnico e líder indígena, destaca que a batalha continua como defesa de recursos vitais.
Apesar do avanço, as dúvidas persistem sobre como monitorar efetivamente o uso de água pela Indega. Ativistas ressaltam que a campanha mantém o foco na proteção de mananciais e na responsabilização de grandes players.
A organização da mobilização segue com ações de conscientização, caminhadas, murais e oficinas públicas. A expectativa é que a pressão continue fortalecendo a governança hídrica na região de La Calera.
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