- Guerra no Irã, além da crise na Ucrânia, deve dominar as discussões da cúpula do G7 realizada em Évian-les-Bains, na França.
- Lula chegou ao encontro com uma agenda de crítica ao protecionismo dos Estados Unidos e defesa do multilateralismo, incluindo o tema de livre comércio entre Mercosul e Japão.
- A possibilidade de um acordo entre EUA e Irã para encerrar o conflito pode reorientar as prioridades do evento.
- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve priorizar a questão do Irã, o que tende a reduzir o peso de temas comerciais e de defesa do multilateralismo.
- Não há perspectiva de encontro formal entre Lula e Trump; contatos podem ocorrer apenas de forma informal, e a agenda brasileira tende a ficar em segundo plano diante do peso do conflito.
O que aconteceu no G7 revela uma reorganização das pautas diante de conflitos internacionais. Análise de Clarissa Oliveira, analista de Política da CNN, aponta que as guerras no Oriente Médio e na Ucrânia devem dominar as discussões na cúpula realizada em Évian-les-Bains, na França.
Lula chegou ao encontro com uma agenda centrada na crítica ao protecionismo dos EUA, após o anúncio de novas tarifas ao Brasil. O presidente também pretendia defender o multilateralismo e avançar em pontos como o acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Japão.
Acordo com o Irã muda prioridades no G7
Segundo a analista, o alinhamento entre EUA e Irã para delinear um possível acordo de encerramento do conflito tende a reconfigurar o debate no fórum. A percepção é de que o tema passa a ocupar boa parte das conversas previstas.
Ela ressalta que, nesse cenário, temas como relações comerciais e críticas ao protecionismo devem ficar em segundo plano, diante da importância atribuída ao acordo no Oriente Médio. A expectativa é de que a guerra no Irã domine boa parte das discussões.
Encontro entre Lula e Trump segue sem perspectiva
Não há previsão de encontro formal entre Lula e Trump durante o evento. Caso haja algum contato, deve ocorrer de forma informal nos corredores do fórum, segundo a leitura da analista.
Clarissa Oliveira lembra que, em encontro anterior na Malásia, o interesse de Trump não era apenas a relação com o Brasil, mas enviar sinais à China. Ainda assim, Lula deve manter o discurso de soberania nacional e defesa de interesses, mesmo com o peso do conflito externo.
Apesar do panorama, a analista afirma que a agenda brasileira tende a receber menos holofotes em Évian diante da prioridade dada ao conflito regional. A ênfase permanece na necessidade de que o Brasil preserve sua linha multilateral e seus objetivos estratégicos.
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