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Porta giratória entre setores público e privado é incomum, aponta pesquisa

Porta giratória entre público e privado é incomum; 44% retornam ao mesmo órgão após deixar o cargo, e 8% já atuaram nos dois setores

Esplanada dos Ministérios, em Brasília, com o Congresso Nacional ao fundo
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  • Sessenta por cento dos dirigentes que ocupam cargos de liderança nunca passaram pelo setor privado, e oito por cento tiveram contato com empresas privadas ou organizações da sociedade civil antes e depois de deixar o cargo público.

  • O chamado “efeito bumerangue” ocorre: quarenta e quatro por cento dos dirigentes voltam ao mesmo órgão e ao mesmo tipo de posto após sair.

  • As trajetórias costumam ser longas, com setenta e nove por cento permanecendo em cargos de direção dois anos depois de entrar na base, cinqüenta e cinco por cento após quatro anos e vinte por cento após dez anos.

  • A média de anos de experiência na administração pública aumentou de sete anos em mil novecentos e noventa e nove para dezesseis anos em dois mil e vinte e cinco; sessenta e três por cento são servidores de carreira e setenta e cinco por cento já tinham experiência no setor público.

  • Entre dirigentes que não são originalmente do setor público, há maior presença de mulheres e de pessoas negras; desde dois mil e vinte e dois, a participação de mulheres chega a cerca de quarenta por cento.

A pesquisa conjunta do Movimento Pessoas à Frente, com o Ipea e apoio da Fundação Lemann, analisa a porta giratória entre o setor público e a iniciativa privada. O estudo usa dados do Atlas do Estado Brasileiro e abrange 1999 a 2025. O foco são cargos comissionados de direção, não ministros ou secretários.

A maior parte dos ocupantes de cargos de liderança no serviço público não possui passagem pelo setor privado. Em média, 60% nunca atuaram na iniciativa privada. Apenas 8% tiveram contato com empresas ou organizações da sociedade civil antes e depois de deixar o cargo público.

O levantamento aponta ainda o que chama de efeito bumerangue: 44% dos dirigentes que deixam o cargo retornam ao mesmo órgão e ao mesmo tipo de posição. Além disso, 79% permanecem em funções de direção dois anos após ingressarem na base de dados.

A circulação entre União, estados e municípios também é comum: há intercâmbio de conhecimento entre entes federativos e dentro do próprio nível de governo. Segundo o estudo, 63% dos dirigentes são servidores de carreira, e 75% já tinham experiência prévia no setor público.

Entre aqueles que não são originários do serviço público, há maior presença de mulheres e pessoas negras. De 1999 a 2025, homens ocuparam 75% dos cargos de direção e pessoas brancas 78%. A partir de 2022, houve aumento da participação feminina, chegando a cerca de 40%, e de pessoas negras.

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