- Vila com nove casas construídas em 1937, localizada na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, foi demolida no último sábado (13) sem autorização da prefeitura.
- A demolição ocorreu poucas horas antes da estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo.
- O tombamento do conjunto havia sido negado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp) em 25 de maio, por descaracterização e mau estado.
- As casas pertenciam à irmandade Concepcionistas Missionárias do Ensino, proprietária de um colégio particular na região; imóveis estavam sob tutela municipal desde 2018, quando o alvará utilizado para demolir já tinha validade vencida.
- A prefeitura afirma que a demolição foi irregular, aplicou embargo e multa de R$ 15 mil, e que o processo de tombamento foi conduzido conforme a legislação vigente; moradores e ex-residentes destacam a perda do patrimônio e a ruptura histórica.
Uma vila de nove casas, construída em 1937 na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, foi demolida no último sábado sem autorização da prefeitura. A ação ocorreu poucas horas antes da estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo, segundo relatos de moradores.
A demolição foi questionada pela Prefeitura, que afirma ter identificado irregularidade no alvará. O documento utilizado para autorizar a derrubada, emitido em 2018, tinha validade de dois anos e, segundo o governo municipal, a obra deveria ter passado por nova avaliação.
O tombamento do conjunto, que já havia sido negado pelo Conpresp, foi alvo de choque entre moradores e órgãos públicos. O Conselho de Patrimônio Histórico havia apontado que as casas representavam o Estilo Missões e tinham valor histórico.
Quem pertenceu aos imóveis por décadas era a irmandade Concepcionistas Missionárias do Ensino, ligada a um colégio particular da região. Os inquilinos anteriores receberam aviso de desocupação em 2017, e a vila já apresentava descaracterização de algumas áreas.
A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa afirma que todas as etapas legais foram observadas no processo de tombamento, cuja decisão de arquivamento não admite recurso. A prefeitura sustenta ainda que o Conpresp atua com critérios técnicos.
Associação de Moradores da Vila Mariana relata que, na manhã de sábado, tratores entraram no terreno e derrubaram as casas em poucas horas, sem chance de paralisação. Moradores descrevem a demolição como abrupta e dolorosa para a memória local.
A cineasta Ana Petta, que viveu no conjunto até 2017, afirma que houve decurso de uma política de ataque ao patrimônio histórico. Ela ressalta que o parecer técnico do DPH não foi suficiente para evitar a demolição, que também impacta a memória da comunidade.
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