- Entre 2009 e 2024, houve uma morte para cada 3.848 detidos, mas, sob o governo de Donald Trump, a taxa subiu para aproximadamente uma morte a cada 1.630 pessoas, com dados preliminares até o início de junho.
- Desde janeiro de 2025, já são cinquenta óbitos de pessoas em custódia do ICE, incluindo um vietnamita que desmaiou e morreu na prisão Speedway Slammer (Indiana), um chinês encontrado enforcado no chuveiro na Pensilvânia e um hondurenho com sinais de abstinência alcoólica que morreu em Nova York.
- A população de imigrantes detidos cresceu bastante, de cerca de 14 mil em fevereiro de 2021 para cerca de 57 mil no início de junho, com pico de cerca de 70 mil em janeiro durante uma grande operação em Minneapolis.
- Especialistas citados pela Reuters dizem que o aumento da taxa de mortes e as informações limitadas dos relatos levantam preocupações sobre a supervisão e o atendimento médico nos centros, com casos de monitoramento inadequado sendo destacados.
- O Departamento de Segurança Interna afirma oferecer atendimento médico desde a chegada e durante toda a permanência, e o ICE diz que as mortes estão sob investigação, embora haja relatos de registros com menos detalhes sobre as circunstâncias de cada óbito.
O número de mortes de imigrantes sob custódia do ICE dobrou desde que Donald Trump reassumiu a presidência, segundo levantamento da Reuters com dados oficiais. A taxa chegou a cerca de uma morte a cada 1.630 detentos, com base em dados preliminares até início de junho.
Entre 2009 e 2024, as detenções migratórias tinham uma média de uma morte a cada 3.848 presos. O aumento ocorre em meio a uma expansão da população carcerária sob o governo Trump, que chegou a cerca de 70 mil detidos no pico de janeiro, antes de recuar para cerca de 57 mil no início de junho.
- O estudo analisado pela Reuters usa dados do ICE e foi processado pelo Vera Institute of Justice, por meio do Deportation Data Project. Fontes oficiais e documentos de autópsia foram utilizados para compor o quadro apresentado.
Contexto e primeiros casos
Dados da Reuters apontam que 21 das 50 mortes ocorreram já sem vida ou inconscientes, incluindo 10 suicídios. Especialistas ouvidos disseram que o aumento da taxa sugere questões na supervisão e no atendimento médico nos centros de detenção.
Ataques cardíacos e problemas cardiovasculares aparecem como causa de 16 óbitos, o que levanta preocupações sobre avaliações de saúde e tratamento de doenças crônicas. Médicos consultados destacaram possíveis falhas no monitoramento de saúde mental e física dos detidos.
Chanelle Diaz, professora de medicina, afirmou que há concentração de pessoas clinicamente vulneráveis em custódia, o que pode gerar mais mortes evitáveis. Ela citou casos de indivíduos com demência que não representavam risco à sociedade.
Casos emblemáticos
Um vietnamita com problemas cardíacos desmaiou e morreu na Speedway Slammers, antiga prisão de segurança máxima em Indiana. Em uma unidade no Queens, Nova York, um hondurenho com sinais de abstinência alcoólica teve morte na cela. Um chinês em Pensilvânia, que já havia tentado suicídio, foi encontrado enforcado no chuveiro.
Registros indicam que parte dessas ocorrências foi identificada apenas após a morte, sem detalhamento completo de histórico médico ou de medicamentos utilizados. Especialistas ressaltam a importância de dados mais completos para entender cenários.
Detalhes de casos na prática
Na Pensilvânia, Chaofeng Ge, de 32 anos, foi encontrado pendurado no box do chuveiro do centro de detenção Moshannon Valley. Ele já tinha histórico de avaliação por risco de suicídio após tentativa anterior. O ICE informou que Ge chegou sem histórico médico relevante e foi encaminhado à população geral, segundo relatos oficiais.
outro caso envolve Santos Reyes Banegas, hondurenho que morreu em um hospital de Long Island após apresentar abstinência alcoólica. O relato do ICE descreve encaminhamento inicial, mas não detalha medicamentos ou se houve atendimento de emergência imediato. A investigação estadual apontou que o agente de plantão não foi responsabilizado.
Perguntas sobre o atendimento médico
Especialistas entrevistados pela Reuters destacaram a fragilidade da documentação pública sobre cada morte, o que dificulta esclarecer responsabilidades. Relatórios do ICE costumam omitir informações sobre histórico médico, tratamentos e respostas a emergências.
Michele Heisler, da Physicians for Human Rights, observou que a moradia de pessoas com vulnerabilidade médica pode aumentar o risco de mortes evitáveis. A DHS afirmou que investiga cada caso e mantém o compromisso de um ambiente seguro e humano.
Contexto de políticas migratórias
Ao longo do governo Trump, a população de detentos aumentou para patamar elevado, com impacto direto na dinâmica dos centros. Durante a gestão Biden, houve intensificação da fiscalização diante de críticas políticas, o que ampliou o contingente de detidos. O ICE mantém hoje dezenas de milhares sob custódia.
Casos adicionais de pergunta sobre resposta médica
Mohammad Paktiawal, detido em Dallas, morreu no hospital após apresentar desconforto no peito. A família informou demora para obter respostas sobre a causa, com registros vinculando histórico psiquiátrico. O ICE enfatizou acusações criminais do imigrante, destacando uma tendência de foco nas condutas legais sob o mandato atual.
Contribuição de instituições parceiras
Os dados usados pela Reuters vêm do Deportation Data Project e são processados pelo Vera Institute of Justice. As informações também envolvem a atuação de operadores privados, como o GEO Group, responsável por unidades de detenção em alguns estados.
As autoridades enfatizam que o objetivo é manter controles adequados, com atendimento médico contínuo desde a admissão. A análise, no entanto, aponta para a necessidade de aprimoramento na supervisão clínica e na documentação de cada caso.
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