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Lula aposta no centro com ações oficiais e empurra custo ao próximo governo

Desenrola volta a renegociar dívidas de pessoas físicas e jurídicas, ampliando benefício para eleitor do centro e elevando gastos públicos acima de R$ 220 bilhões

Governo amplia programas de crédito, habitação e renegociação de dívidas para conquistar o eleitorado de centro, considerado decisivo em eleições polarizadas (Foto: Dall-E/Gazeta do Povo)
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  • Lula lança nova edição do Desenrola, voltada a consumidores e empresas adimplentes, para renegociação de dívidas.
  • Estratégia busca eleitores de centro, considerados decisivos em 2026, com foco em quem fica entre brancos, nulos e indecisos.
  • As medidas já somam mais de R$ 220 bilhões em estímulos, envolvendo crédito subsidiado, renegociação e habitação, segundo especialistas.
  • Pesquisa Genial/Quaest aponta leve alta na aprovação do governo (43% para 47%), mas desaprovação permanece estável (cerca de 48%).
  • Economistas alertam que os benefícios podem pressionar as contas públicas a longo prazo e ter impacto político incerto até as eleições de 2026.

Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nova edição do Desenrola, programa de renegociação de dívidas. A proposta, elaborada pela equipe econômica, visa consumidores e empresas que estão em dia com pagamentos, mas enfrentam dificuldades para cumprir compromissos futuros. A medida aumenta a renegociação já iniciada em maio, destinada a trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos com débitos entre 90 e 360 dias.

A ofensiva integra ações de um conjunto de medidas voltadas a setores estratégicos para o governo. Entre elas estão ampliação do Minha Casa Minha Vida, isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil e crédito para motoristas de aplicativo, taxistas e caminhoneiros. O objetivo é ampliar apoio a segmentos da classe média.

Economistas ouvidos destacam que o conjunto de propostas soma mais de 220 bilhões de reais em estímulos, por meio de crédito subsidiado, renegociação de dívidas, incentivos tributários e habitação. A magnitude tem impactos observados nas projeções de inflação e juros, segundo especialistas.

Para o economista João Mário França, do FGV Ibre, a estratégia atende a eleitores de centro. A avaliação aponta que esse grupo, junto com brancos, nulos e indecisos, representa parcela relevante do eleitorado e pode influenciar o resultado de 2026.

Desempenho eleitoral e riscos

Dados da Genial/Quaest indicam que a aprovação do governo subiu de 43% para 47% entre abril e junho, em levantamento com 2.004 eleitores. A desaprovação oscilou de 49% para 48% no mesmo período, mantendo Lula como líder, porém com disputa aberta.

A equipe de Lula sustenta que a renegociação de dívidas pode manter o eleitor atento aos efeitos práticos das políticas públicas, mesmo com incertezas sobre a duração dos benefícios. O timing eleitoral envolve regras que limitam novos programas durante a campanha.

Perspectiva de longo prazo

Especialistas alertam para o custo fiscal e a dívida bruta. A expansão de despesas, aliada a operações parafiscais, pode aumentar o risco fiscal e comprometer o resultado primário. A avaliação é de que o cenário atual guarda semelhanças com momentos anteriores de crise fiscal.

A avaliação de Reis é de que a estratégia busca alcançar o eleitor de meio, mas envolve complexidades sobre a percepção de benefício a longo prazo. Otimismo político e incertezas econômicas coexistem na construção da narrativa de 2026.

Cenário de campanhas

Sobre o reforço de ações voltadas a trabalhadores por aplicativo, a leitura é de que há lógica eleitoral ao oferecer carência antes do início dos pagamentos. Contudo, esse grupo pode ter reticência a novas regulações estatais e ao alinhamento com políticas do PT.

A campanha de Lula aponta para uma disputa presidencial ainda aberta, com a presença de múltiplos candidatos. A avaliação interna é de que uma margem de votos flutuantes pode decidir o segundo turno.

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