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Ex-sócio da Master é peça-chave em caso envolvendo Vorcaro

Ex-CEO Augusto Lima é apontado pela Polícia Federal como peça central nas fraudes do Master; apurações envolvem BRB e possíveis impactos no Congresso

Lima é um empresário influente na Bahia - (crédito: Paulo Mocofaya/Agência ALBA)
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  • Augusto Ferreira Lima, ex-CEO do Master e ex-sócio de Daniel Vorcaro, é apontado pelas investigações como peça central para esclarecer fraudes associadas ao banco.
  • Ele foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga a relação entre o Master, o Banco Pleno e operações envolvendo BRB, Tirreno e Cartus.
  • A Polícia Federal apreendeu R$ 1,7 milhão em espécie na casa de Lima durante buscas; ele foi preso preventivamente na primeira fase e, dias depois, solto com tornozeleira eletrônica.
  • A PF investiga possível relação com Jaques Wagner e aponta que mensagens, encontros e viagens indicariam um ambiente propício para defender interesses do banco.
  • A defesa de Lima contesta as buscas, afirma que ele está à disposição há seis meses para esclarecer os fatos e sustenta que as investigações são lícitas; Lima é investigado por corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro, ainda sem denúncia formal.

O ex-sócio de Vorcaro, Augusto Ferreira Lima, conhecido como Guga Lima, figura como peça central nas investigações da PF na 9ª fase da Operação Compliance Zero. Lima é apontado pelos investigadores como fundamental para esclarecer as fraudes associadas ao Master, banco ligado a Daniel Vorcaro.

Augusto Lima já foi CEO do Banco Master e controlador do Banco Pleno, instituição que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em fevereiro deste ano. As apurações também investigam a relação do empresário com o Banco de Brasília (BRB), no contexto da tentativa de venda do Master e de operações envolvendo as empresas Tirreno e Cartus. A PF aponta que Lima ocupa posição estratégica no principal inquérito sobre a atuação do banco.

O empresário foi alvo de prisão preventiva na primeira fase da operação, em novembro de 2025, quando Vorcaro também foi detido no Aeroporto de Guarulhos, a caminho de Dubai. Durante as buscas na residência de Lima, foram apreendidos cerca de 1,7 milhão de reais em espécie, em procedimento que durou aproximadamente seis horas. Dias depois, ele e outros investigados foram soltos mediante decisão da desembargadora Solange Salgado, com uso de tornozeleira eletrônica.

Desde então, Lima foi convocado pela Polícia Federal para prestar depoimento em pelo menos duas ocasiões. O primeiro interrogatório, em janeiro deste ano, foi cancelado após a defesa informar que o empresário só falaria com acesso integral aos autos. Em maio, houve nova intimação no âmbito das investigações sobre irregularidades envolvendo a negociação do Master com o BRB.

Relação com autoridades e possíveis impactos

Entre os focos das apurações está a relação entre Augusto Lima e Jaques Wagner, líder do governo no Senado, também alvo de buscas autorizadas pelo STF. A PF sustenta que mensagens entre Lima e o senador indicariam uma relação de longa data e confiança mútua. Em correio eletrônico de março de 2025, Lima teria comentado sobre a compra do Master pelo BRB, que foi posteriormente barrada pelo BC.

A investigação busca verificar se houve atuação em defesa de projetos de interesse do Master no Congresso, incluindo a chamada Emenda Master e uma proposta de ampliação de crédito consignado. A defesa de Lima classifica as diligências da PF como desnecessárias e afirma que o empresário está há seis meses à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, buscando demonstrar a licitude dos fatos.

Augusto Ferreira Lima é investigado, em tese, por corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Até o momento, não há denúncia formal apresentada contra o empresário.

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