- O Ministério da Saúde autorizou a vacinação com a Butantan-DV no SUS sem avaliação prévia da Conitec.
- A vacina brasileira foi incorporada ao SUS em fevereiro de 2026 e ficou suspensa em 8 de junho, após 42 episódios de reações adversas severas e duas mortes, ainda sob investigação.
- Uma representação ao Tribunal de Contas da União, protocolada em 15 de junho, questiona o processo de compra e incorporação da Butantan-DV, assinada por Cabo Gilberto e Marcelo Queiroga.
- O governo sustenta que as vacinas Takeda e Butantan usam a mesma tecnologia de dengue, enquanto Queiroga afirma que são tecnologias diferentes e deveriam ter avaliação separada pela Conitec.
- O Instituto Butantan afirma que a Butantan-DV não passou pela Conitec porque a Takeda já havia sido avaliada e incluída, e a Butantan-DV utiliza plataforma similar com dose única.
O Ministério da Saúde incluiu no SUS a vacina Butantan-DV contra dengue sem avaliação prévia da Conitec. A incorporação ocorreu após o endurecimento de debates sobre a tecnologia e custos, com a crença de equivalência tecnológica entre Butantan-DV e Qdenga, da Takeda. A decisão é alvo de contestação.
Uma representação protocolada no Tribunal de Contas da União (TCU) nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, questiona o processo de compra e incorporação. Assinam o deputado Cabo Gilberto (PL-PB) e o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga (PL).
A Conitec, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, avalia segurança, eficácia e custo de tecnologias em saúde. Após o parecer, cabe ao ministro editar a portaria que autoriza a incorporação ao SUS. O debate envolve prazos, evidências e conformidade administrativa.
O que motivou a contestação
O governo afirma que as duas vacinas contra dengue usam a mesma tecnologia de base – vacina tetravalente atenuada – e, portanto, não demandam nova avaliação pela Conitec. Queiroga diverge, ressaltando que Butantan-DV e Qdenga apresentam diferenças de tecnologia e evidências.
Detalhes do processo e mudanças
O Butantan argumenta que a Butantan-DV não passou pela Conitec porque a avaliação da Qdenga já existia, e, por ser de plataforma similar com custo menor, não haveria necessidade de nova análise. O governo aponta consistência na denominação terapêutica entre os dois imunizantes.
Repercussões e próximos passos
A representação aponta irregularidades na gestão de recursos públicos e na retificação de portaria de 2023, que autorizava apenas a TAK-003. A retificação de maio de 2025 substituiu por uma autorização genérica de vacina tetravalente, sinalizando divergências entre instrumentos legais.
Posicionamentos oficiais
O Ministério da Saúde sustenta que a decisão seguiu rito legal, inclusa a documentação pública. O Butantan afirma que a estrutura de avaliação já ocorreu com a Takeda e, por ter tecnologia similar, não houve necessidade de nova análise específica.
Opiniões de especialistas
Especialistas em imunizações reconhecem que as vacinas compartilham a classificação de vacina tetravalente atenuada, mas diferem quanto às plataformas de produção. A SBIm afirma que as diferenças são técnicas, não estratégicas. Pesquisas indicam robustez nos dados de segurança já apresentados.
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