- Bolsonaro completa hoje noventa dias de prisão domiciliar humanitária, e o ministro Alexandre de Moraes avaliará a continuidade da medida.
- relatórios médicos indicam estabilidade cardiológica e boa resposta ao tratamento para soluços; há recomendações de exames do trato digestivo para investigar a origem dos soluços.
- visitas foram restritas a filhos e netos autorizados, com Eduardo Bolsonaro morando nos Estados Unidos; parentes somente com autorização judicial em alguns casos.
- Bolsonaro permanece sem acesso a celular ou qualquer meio de comunicação externa; não houve registro de descumprimento dessas regras.
- caso da arma envolve inquérito da Polícia Civil do Distrito Federal; Moraes pode ouvir Bolsonaro por videoconferência em 24 de junho; defesa afirma que arma apresentava defeito e foi entregue para manutenção.
O ex-presidente Jair Bolsonaro está perto de ter a prisão domiciliar reavaliada. Condenado a 27 anos e 3 meses por trama golpista, ele cumpre regime domiciliar para recuperação de broncopneumonia. A revisão acontece após 90 dias de cumprimento, sob supervisão do STF.
Desde 27 de março, quando começou o regime, medidas com impacto na avaliação de Moraes foram adotadas. Estão em análise pedidos da Lei da Dosimetria e uma revisão criminal da defesa, que podem influenciar a decisão sobre a continuidade da medida.
Durante esse período, Bolsonaro seguiu as regras estabelecidas, mas recentemente houve a necessidade de novos exames por soluços recorrentes e a apreensão de uma arma em nome do ex-presidente. A situação deve ser considerada no balanço médico e técnico.
Visitas
Ao longo do regime, quase todos os filhos já estiveram presentes, exceto Eduardo Bolsonaro, que permanece nos Estados Unidos. O acesso na casa foi restrito a um grupo de pessoas autorizadas, incluindo familiares diretos, profissionais de saúde, prestadores de serviço, seguranças e funcionários.
Bolsonaro vive com a esposa Michelle Bolsonaro, a filha Laura e uma sobrinha. As visitas de netas exigiam autorização judicial, diferentemente de familiares diretos que já residem no imóvel sem necessidade de nova autorização.
Sem celular
O ministro Alexandre de Moraes estabeleceu proibição de uso de celular, telefone ou qualquer meio de comunicação externa por Bolsonaro, incluindo repasse por terceiros. Não há relatos de descumprimento das regras, segundo a PMDF.
O ex-presidente deixou o lar apenas para um procedimento no ombro em 1º de março, permanecendo internado por quatro dias e retornando à prisão domiciliar. Não houve nova internação desde então, segundo o relatório policial.
Saúde
Relatórios médicos ao STF indicam estabilidade cardiológica, pressão arterial controlada e boa resposta ao tratamento para soluços. Medicação tem causado sonolência diurna e instabilidade no equilíbrio. Observa-se uma alteração residual no pulmão esquerdo.
A equipe médica recomenda exames do trato digestivo, como endoscopia, manometria e pHmetria, para investigar os soluços persistentes, possivelmente ligados a eventos da campanha de 2018.
Em ortopedia, há evolução positiva após a cirurgia no ombro direito, com mobilidade e funcionalidade em melhoria, apesar de restrições de rotação interna e externa da articulação.
Caso da arma
Ao aproximar-se dos 90 dias de domiciliar, Bolsonaro passa por nova avaliação de Moraes sobre possível retorno ao regime fechado ou prorrogação da domiciliar. O tema ocorre enquanto tramita inquérito da PCDF sobre uma pistola registrada em nome dele encontrada com um agente do GSI durante blitz no DF.
O policial que fez a apreensão afirmou que o agente dizia trabalhar para Bolsonaro e que a arma pertencia ao ex-presidente. A arma seria entregue para verificação de falha mecânica e devolvida no dia seguinte.
A PCDF pediu autorização ao STF para ouvir Bolsonaro por videoconferência no âmbito do inquérito. O delegado informou ter encontrado dificuldades para intimar o ex-presidente devido à escolta. A oitiva está agendada para 24 de junho, às 15h.
Bolsonaro afirmou ao STF ter entregue a arma ao agente após constatar defeito. A defesa sustenta que o percussor da pistola foi retirado pela equipe de segurança sem conhecimento do ex-presidente, a fim de evitar efeitos de medicamentos psiquiátricos usados.
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