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Inquérito sobre respiradores na pandemia com ex-ministro de Lula volta ao STF

Desvio de 48 milhões na compra de respiradores leva investigação ao STF, envolvendo o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa

DEFESA - Costa: ele se diz vítima de pessoas mal-intencionadas e alega que foi dele a iniciativa de apurar o caso (Marina Ramos/Câmara dos Deputados)
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  • A Polícia Federal investiga o desvio de 48 milhões de reais durante a pandemia, ligados a um negócio de 2020 envolvendo 300 respiradores do Consórcio Nordeste, que não foram entregues.
  • O dinheiro foi pago integralmente, parte financiada no exterior, mas os respiradores nunca chegaram aos pacientes; o inquérito busca recuperar os recursos.
  • O núcleo político do esquema incluiu o ex-ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, segundo o material da polícia, com repasses a lobistas e empresas envolvidas.
  • A Hempcare, empresa apontada como realizadora dos negócios, recebeu o pagamento antes de assinar o contrato e teve ligações com transações no exterior e com lobistas ligados a Costa.
  • Detalhes recentes apontam uso de um fundo do grupo Reag para movimentação de propina; delatora afirma pressões para proteger o governador Rui Costa, enquanto depoimentos oficiais questionam registros dos interrogatórios.

A Polícia Federal mantém há seis anos uma investição sobre 48 milhões de reais desviados durante a pandemia, ligados a um esquema envolvendo a compra de 300 respiradores pelo Consórcio Nordeste. O pagamento foi feito, mas as máquinas nunca chegaram aos estados da região.

O inquérito aponta participação de políticos, empresas de fachada, estelionatários e lobistas. O núcleo político, segundo o material obtido pela Revista VEJA, envolve o ex-chefe da Casa Civil Rui Costa (PT) na época. O valor envolvido circulou entre empresas de fachada e operadores ligados a Costa.

Em 2020, quando a pandemia avançava e não havia vacinas, o Consórcio Nordeste assinou contrato sem licitação com a Hempcare, empresa cuja atuação previa apenas venda de derivados de maconha. Parte do dinheiro foi enviada ao exterior e outra parte repassada a supostos fabricantes e a lobistas.

Investigadores identificaram que 12 milhões de reais puderam ter ingressado em um fundo controlado pelo grupo Reag, possivelmente para ocultar o pagamento. João Carlos Mansur, dono da Hempcare, foi alvo de mandado de busca em operação de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis, e é investigado também no caso do Banco Master.

Cristiana Prestes Taddeo, dona da Hempcare, firmou delação premiada e afirmou ter citado o nome de Rui Costa diversas vezes durante oitivas, sem que tais menções fossem registradas nos autos. Ela relatou ainda supostos maus-tratos ao ser presa preventivamente na Bahia e que alguns investigadores protegiam o governador na época.

Rui Costa afirmou, em depoimento, que não falava inglês e que foi vítima de pessoas mal-intencionadas, alegando ter denunciado a fraude. Ministros e autoridades ligadas ao governo da Bahia contestaram as acusações e apontaram retrabalho institucional nas apurações.

Diante de novos detalhes, o inquérito continua sem desfecho efetivo. A PF mantém a linha de investigação para esclarecer o destino do montante e responsabilizar eventuais responsáveis. O caso envolve, ainda, a complexa rede de contatos políticos e empresariais que permeia o episódio.

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