- Oposição na Albânia cresce contra o resort apoiado por Ivanka Trump e Jared Kushner, com protestos que viraram uma contestação ao establishment governamental.
- Milhares participaram dos protestos em Tiranë, em um movimento visto como a maior onda de insatisfação desde o fim do regime comunista, conhecido como “revolução flamingo”.
- A controversa envolve a construção de um mega-resort na ilha de Sazan e em áreas próximas, incluindo a reserva Pishë Poro-Narta, onde houve confrontos entre manifestantes e segurança privada.
- Investidores permanecem com identidade envolta em sigilo, e o Parlamento Albanês aprovou mudanças em leis ambientais, mantendo críticas de que o projeto avança sem transparência; a União Europeia cobra alinhamento com padrões ambientais.
- O governo, liderado pelo primeiro-ministro Edi Rama, defende o investimento como crucial para empregos e para a candidatura à UE, enquanto a população exige mudanças e rejeita a ideia de “capitalismo de elites”.
A onda de protestos contra um megaresort em Sazan, ilha ao sul da Albânia, ganhou contornos de resistência ao establishment. A iniciativa, apoiada por Ivanka Trump e Jared Kushner, provocou indignação entre opositores, ambientalistas e parte da população que teme danos a ecossistemas frágeis. O movimento ficou conhecido como a “revolução flamingo”.
Os manifestantes afirmam que o projeto de desenvolvimento, que envolve várias centenas de hectares, representa um desvio de recursos públicos para interesses de investidores estrangeiros. Paralisações, marchas e ocupações temporárias em áreas próximas a Zvërnec refletem o clamor por transparência e respeito aos parques naturais da região.
O impacto é visto como decisivo para o governo liderado por Edi Rama, que reconhece a importância de atrair investimentos para ampliar o turismo, mas enfrenta críticas por suposta falta de diálogo com a sociedade. O governo sustenta que o investimento é crucial para o crescimento econômico e para tornar a Albânia um destino de alto padrão.
A indignação se intensificou após ações de limpeza de áreas florestais e dunas costeiras para a construção, em uma zona de conservação próxima a Sazan. A população teme a degradação de habitats de espécies protegidas, incluindo flamingos e tartarugas marinhas, e a possível limitação de acesso público a áreas históricas.
Tirana tem sido pressionada desde a Europa. A União Europeia já pediu para frear construções em zonas protegidas e relacionou a conclusão das negociações de adesão a padrões ambientais mais rigorosos. Autoridades europeias destacaram a necessidade de maior transparência sobre os concessionários envolvidos.
O debate envolve ainda a tramitação de mudanças legais dedicadas a áreas sensíveis ao meio ambiente. Embora não haja confirmação de envolvimento direto de Kushner no alterations legislativas, críticos apontam que a legislação pode facilitar projetos desse tipo com menos entraves regulatórios.
Ao longo das últimas semanas, milhares de pessoas, entre moradores, descendentes da diáspora e simpatizantes, têm chegado a Tirana para protestar. Os atos expressam frustração com a gestão pública, a percepção de favorecimento a grandes investidores e a busca por uma alternativa econômica mais sustentável.
As autoridades locais recomendam cautela e a continuidade de negociações. Enquanto isso, o debate permanece acalorado entre quem defende o desenvolvimento econômico e quem defende a preservação ambiental, com a população cobrando decisões mais democráticas e transparentes.
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