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Rede de contatos de Eduardo nos EUA ligou-o a Trump e à condenação no STF

Expedição de Eduardo Bolsonaro aos EUA em 2018 criou rede de contatos usada para pressionar o STF; condenado a quatro anos e dois meses, em regime semiaberto

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no jantar de aniversário de Steve Bannon em 2018, em Washington
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  • Em novembro de 2018, Eduardo Bolsonaro participou de uma expedição de seis dias nos EUA com cerca de 15 compromissos, visando construir uma rede de contatos que hoje o ajuda a pressionar o STF.
  • Na casa de Steve Bannon, Eduardo foi apresentado como representante do The Movement no Brasil e recebeu apoio para ampliar esse networking com figuras da direita norte‑americana.
  • A agenda incluiu encontros com integrantes do governo e setores empresariais em Washington, Nova York e Flórida, além de visitas a órgãos como a OEA e o NSC, entre outros.
  • O objetivo do contato externo, segundo a matéria, era apoiar a defesa de interesses do governo brasileiro e pressionar por sanções ao Brasil, inclusive contra ministros do STF.
  • A atuação o levou à condenação pelo STF na terça-feira, 16, a quatro anos e dois meses de reclusão, em regime semiaberto, por coação no curso do processo, o que gerou inelegibilidade e a perda do cargo público.

O deputado Eduardo Bolsonaro foi alvo de uma rede de contatos diplomados nos Estados Unidos entre 26 de novembro e 1º de dezembro de 2018, período de uma expedição de seis dias que incluiu Nova York, Washington e Flórida. A viagem visava ampliar relações com figuras ligadas à direita norte‑americana, segundo apuração.

Na capital americana, Eduardo participou de encontros com autoridades e lideranças próximas ao governo de Donald Trump, organizados por Steve Bannon e por aliados como Filipe Martins. A agenda incluiu reuniões com representantes do governo e do mundo empresarial, em meio a um cenário de defesa de posições pró‑livre mercado e de oposição a políticas vistas como influentes no Brasil.

A programação contou com encontros em Washington, na presença de nomes como Sebastian Gorka e membros de instituições nacionais e internacionais. Momentos de tensão surgiram ao não conseguir passagem pela entrada do NSC devido a um erro no credenciamento, o que levou ao cancelamento de uma audiência marcada com Jared Kushner.

A sequência de compromissos também incluiu encontros com representantes do setor privado em Nova York, no escritório de uma consultoria e em eventos com empresários. Em Palm Beach, o grupo teve contato com a comunidade brasileira local, em uma agenda que encerrou a viagem por responsabilidade de agenda futura com outras lideranças.

Entre os objetivos revelados, Eduardo manteve contatos com figuras políticas dos EUA para defender a ideia de pressionar governos estrangeiros a adotar sanções ou medidas contra o Brasil, conforme a denúncia da PGR. A atuação é associada a uma tentativa de influenciar decisões judiciais ligadas ao caso envolvendo Jair Bolsonaro.

Ao retornar ao Brasil, o deputado consolidou relações que, segundo apurações, facilitaram encontros com aliados no exterior e contribuíram para a construção de uma agenda voltada a temas como o uso de sanções e políticas econômicas. O impacto dessas ligações permanece sob avaliação das autoridades.

A ação policial e judicial resultou na condenação de Eduardo Bolsonaro pela Primeira Turma do STF, em 16 de outubro, em regime semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo, relacionado ao que a PGR descreveu como gestões para beneficiar o pai em ações contra a justiça.

A defesa pode contestar a pena, mas, até o momento, Eduardo permanece inapto a ocupar função pública por conta da condenação. A inelegibilidade, prevista para oito anos após o cumprimento da pena, também o afeta, agravando o cenário político e pessoal do político.

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