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Eleição na Colômbia mostra cartéis e polarização reforçando o modelo Bukele

Vitória de Abelardo de la Espriella sugere avanço do populismo de direita inspirado em Bukele, ampliando a polarização e o impacto do crime na região

Um homem lê o jornal com a foto do presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, em Barranquilla, Colômbia, em 22 de junho de 2026, um dia após o segundo turno das eleições presidenciais
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  • Abelardo De La Espriella, populista de direita, venceu o segundo turno da eleição presidencial na Colômbia, derrotando Iván Cepeda e Paloma Valencia.
  • O discurso do eleito enfatiza segurança pública e coerção contra a criminalidade, lembrando o modelo de Nayib Bukele; a vitória quebra expectativas diante de nomes tradicionais.
  • A tendência de outsiders de direita ganhou espaço na região, com referências a Chile, Costa Rica e Argentina, em meio a insatisfação com políticas de segurança de governos anteriores.
  • Especialistas apontam que o crime é globalizado, com atuação de redes criminosas internacionais que elevam a violência na região, incluindo gangues venezuelanas e cartéis.
  • Ainda segundo analistas, o debate sobre o modelo de segurança de Bukele persiste, com dúvidas sobre transparência, devido processo legal e contagem de mortos no país de origem.

Oito meses após as eleições na Colômbia, Abelardo De La Espriella, advogado e candidato de direita, venceu o segundo turno, frente a Iván Cepeda e Paloma Valencia. O resultado sinaliza um avanço de um discurso de segurança pública duro, similar ao modelo promovido em El Salvador. A vitória ocorreu em meio a críticas à atuação do governo atual e ao debate sobre combate à criminalidade.

Analistas ressaltam que o efeito de insatisfação com políticas de governação e com posicionamentos da direita tradicional contribuiu para a vitória do empresário populista. Eduardo Mello, vice-diretor da Área de Relações Internacionais da FGV, aponta que a ascensão acompanha uma tendência regional de candidaturas que prometem endurecer a repressão a crimes violentos.

O território de Catatumbo, na fronteira com a Venezuela, é citado como área de atuação conjunta de grupos de direita radical e facções criminosas, contribuindo para um aumento recente da violência. Especialistas destacam o papel do tráfico internacional na crise de segurança na região, com redes de crime organizado ampliando operações para mercados globais.

De acordo com o estudo da FGV, a internacionalização do crime influencia países que não eram tradicionais produtores de drogas, elevando a percepção de insegurança entre a população. Países da região, como Chile, Costa Rica e Argentina, também passam por movimentos políticos impulsionados por questões de segurança pública.

O conceito de “modelo Bukele” vem ganhando atenção regional ao lado de políticas de megaprisões e redução de homicídios. Em 2025, o governo de El Salvador divulgou taxa de 1,3 assassinatos por 100 mil habitantes, número bem abaixo da média regional, estimada pela organização InSight Crime.

Especialistas apontam ainda que, antes da vitória colombiana, o tema já influenciava eleições na região. O Chile e a Costa Rica elegeram candidatos considerados outsiders, sinalizando mudanças de percepção sobre segurança e governança.

Segundo pesquisadores, a crise de segurança é alimentada também pela presença de gangues transnacionais como Tren de Aragua e por cartéis colombianos que atuam em outros países. A expansão dessas redes compõe parte do cenário de violência que molda o debate político regional.

O panorama eleitoral colombiano, portanto, reflete uma combinação de insatisfação com a política tradicional, pressão por respostas rápidas e a influência de estratégias de combate à criminalidade adotadas por lideranças na região.

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