- Lula deve se reunir com Jaques Wagner nesta semana para discutir a continuidade ou saída da liderança do governo no Senado, em meio à crise do banco Master.
- Há pressão no Planalto para que Wagner deixe a função, com expectativa de que o próprio parlamentar entregue o posto para evitar prejuízos a Lula.
- O encontro está marcado para quarta-feira, 24, e ocorre após Wagner ficar na Bahia desde a 9ª fase da Operação Compliance Zero; Lula tem viagens programadas.
- Investigações apontam atuação de Wagner em temas do Banco Master no Congresso; interlocutores do Planalto dizem que o presidente não sabia previamente da ação.
- Em caso de substituição, o ex-ministro Camilo Santana é cotado, mas há foco dele na reeleição do governador do Ceará; Lula pretende agir com cautela.
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir com Jaques Wagner nesta semana para discutir a eventual saída do senador da liderança do governo no Senado. A pauta envolve impactos da crise do banco Master no Palácio do Planalto.
A reunião entre Lula e Wagner, amigos de longa data, está prevista para acontecer na quarta-feira (24). Até o momento, os dois conversaram apenas por telefone. O encontro pode definir o futuro da liderança no governo.
A agenda original de segunda-feira (22) previa reunião com José Guimarães e líderes do governo, mas o encontro não ocorreu devido à pauta mais tímida no Senado. A produção de notícias acompanha a evolução da crise.
Desde a deflagração da 9ª fase da Operação Compliance Zero, Wagner está no Bahia e não retornou a Brasília. Lula tem cumprido compromissos em outros estados, com viagens previstas a Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo nesta semana.
Investigações apontam que Wagner atuou em temas de interesse do Banco Master no Congresso, envolvendo crédito consignado, o Fundo Garantidor de Crédito e a aquisição pela BRB. O Planalto sustenta que o presidente não tinha ciência prévia da ação.
Desdobramentos da liderança
Caso haja substituição, o ex-ministro Camilo Santana surge como cotado para assumir a liderança. Contudo, Santana trabalha para a reeleição do governador Elmano de Freitas e para a vitória de Lula no Ceará, segundo fontes.
Uma fonte da pré-campanha admite que as investigações podem impactar Lula, oferecendo munição política a adversários. A estratégia, porém, prevê manter Wagner atuando na Bahia e separar a atuação nacional da campanha regional.
Outra perspectiva interne do Planalto indica que Lula não tomará decisões precipitadas, valorizando a relação de Wagner com o governo e com o movimento sindical, e reconhecendo a confiança que ele deposita no senador.
A tensão política envolve também o contexto de crise financeira ligada ao Master e o uso estratégico de cada posição para a reeleição. O ritmo das próximas semanas deve esclarecer quem ocupará a liderança no Senado.
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