Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

DataSenado revela violência contra pessoas trans e travestis

Levantamento aponta que 56% de mulheres trans e travestis sofreram violência no último ano, com agressões verbais e discriminação no trabalho

(Scarlety Pereira) :"Mais apoio às cotas de emprego, que é uma maneira eficaz de combater a discriminação e promove a diversidade no local de trabalho. Então, que tenham mais Scarlet, mais Indies, mais Maria Luisa dentro do Senado, não só em uma cobertura de férias, mas com um trabalho mais extenso, uma garantia. Somos tirada da escola, não temos a oportunidade de trabalhar, de estudar. Às vezes, tiram até o nosso direito de viver. Brasil é o país que mais mata mulheres e homens trans no mundo. Então, estar aqui ocupando esse lugar, mesmo que seja temporário, nos dá uma esperança de que algo novo venha e de que várias oportunidades serão direcionadas a todas nós, a comunidade trans.
0:00
Carregando...
0:00
  • Levantamento da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do DataSenado, traz recorte sobre mulheres trans/travestis, com 56% relatando violência no último ano.
  • Entre as 43 participantes identificadas como trans ou travestis, 40% relataram agressões verbais associadas à identidade de gênero, 17% agressões físicas e 12% violência sexual.
  • Fatores de violência aparecem também em espaços públicos e no atendimento, contribuindo para a naturalização dos episódios e o medo de circular em determinados locais.
  • No mercado de trabalho, 26% não conseguem se sustentar; 51% estão ocupadas, 42% fora da força de trabalho; renda majoritária abaixo de dois salários mínimos.
  • O recorte sobre mulheres trans e travestis ficará disponível a partir de quinta-feira no Mapa Nacional da Violência de Gênero, para ampliar evidências e orientar políticas públicas.

A 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do DataSenado, revela um recorte específico sobre mulheres trans e travestis. O levantamento, feito entre maio e julho de 2025, traz dados de 43 entrevistadas que se identificam como trans ou travestis. O objetivo é entender a violência vivida por esse grupo.

A pesquisa aponta que 56% das entrevistadas relataram ter passado por situações de violência nos últimos 12 meses. Agressões, constrangimentos em espaços públicos e discriminação no trabalho aparecem entre as situações descritas, com impactos diversos na vida cotidiana.

Redes de apoio e políticas públicas são citadas como caminhos para ampliar a visibilidade das violências. Médicas, sociais e jurídicas também aparecem entre as áreas onde as mulheres trans enfrentam entraves para o acesso a direitos.

Naturalização das agressões

Para o psicólogo responsável pelo estudo, a naturalização de agressões é perceptível quando muitas situações não são reconhecidas como violência. Apenas 4% disseram inicialmente ter sofrido violência de gênero, mas 56% admitiram episódios no último ano ao serem questionadas.

A pesquisadora Rafaela Miranda, 37 anos, relatou evitar determinados espaços públicos por medo de discriminação. Ela diz que pronomes usados em atendimento médico refletem a dificuldade de ser reconhecida como mulher.

Beatriz Accioly, antropóloga, explica que esse cotidiano hostil envia a mensagem de que certos espaços não foram feitos para elas, prejudicando circulação e acesso a direitos.

Violência doméstica

Entre as entrevistadas, 47% já sofreram violência doméstica. Em 70%, a violência afetou o convívio com outras pessoas; em 55%, a rotina diária foi impactada. A violência, em grande parte psicológica, também prejudica vida profissional (45%) e estudos (35%).

Mercado de trabalho

Mesmo com qualificação, as mulheres trans relatam dificuldades para conseguir emprego. Um relato descreve que, ao revelar a identidade trans, a conversa muda e a candidata não é chamada para a entrevista presencial.

Resultados da pesquisa mostram que 26% não conseguem se sustentar, e muitos enfrentam preconceito durante o processo seletivo. Ao todo, 51% estão ocupadas, 42% fora da força de trabalho e 7% desocupadas. Renda predominantemente baixa: 56% ganham menos de dois salários mínimos.

O levantamento também registra histórias de superação, como a de Scarlety Pereira, que passou a buscar oportunidades após ser contratada pelo Senado para estudar e atuar em jornalismo e secretariado.

Mapa Nacional

A100 recorte sobre mulheres trans e travestis ficará disponível a partir de 25 de agosto na página Pesquisa Nacional do Mapa Nacional da Violência de Gênero. A plataforma reúne dados de parceiros como o Instituto Natura e a Gênero e Número.

O DataSenado ressalta a importância de tornar visíveis experiências para subsidiar políticas públicas e ampliar o debate sobre violência de gênero. O Observatório da Mulher contra a Violência reúne informações para subsidiar ações institucionais.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais