- O decano Gilmar Mendes criticou Edson Fachin sobre a ideia de um código de ética para o STF, dizendo haver “entusiasmo juvenil” e que Fachin falou mais com gente de fora do tribunal do que com os colegas.
- Mendes afirmou que a proposta foi apresentada em meio a críticas públicas a outros ministros, como Moraes e Toffoli, sem apoio suficiente do colegiado.
- O ministro André Mendonça foi alvo de Mendes por envolvimento em negociações de delação relacionadas ao caso do Master, qualificando o episódio como “erro crasso” pela participação do relator em delação entre Ministério Público e delator.
- Mendonça havia dito ter recebido uma proposta de delação seletiva de um advogado; Mendes manteve que a participação do relator já seria impropriedade.
- As divergências entre Mendonça e Mendes apareceram também durante julgamento sobre a liberdade de Henrique Vorcaro; Mendes comparou o caso a a operações da Lava-Jato, o que Mendonça rebateu, dizendo que não se julga a Lava-Jato e que não prende para forçar delação.
Gilmar Mendes critica dois ministros do STF em entrevista entre críticas a propostas de ética e a delação no caso Vorcaro. O decano afirmou ter visto um entusiasmo juvenil em torno de um código de ética proposto por Fachin, e questionou a oportunidade da ideia no momento. O episódio ocorreu durante entrevista concedida ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de segunda-feira, 22.
Ele disse que Fachin manteve conversas com interlocutores externos ao tribunal e não com a maioria dos ministros. Segundo Mendes, a proposta seria impopular entre o colegiado e não reuniria votos necessários. O comentário reforça o desconforto público com o tema dentro do STF.
Outro alvo foi André Mendonça, cuja atuação recente envolve a relatoria de casos ligados ao Banco Master e ao escândalo das fraudes do INSS. O decano acusou Mendonça de ter participado de conversas que envolveram uma eventual delação envolvendo o banqueiro Vorcaro, ex-dono do Master, o que, segundo ele, configuraria erro grave.
Mendes relatou uma fala de Mendonça em que o ministro mencionou ter sido abordado por um advogado com proposta de delação seletiva. Para o decano, apenas a participação de um relator em negociações entre Ministério Público, Polícia Federal e delatores já seria impropriedade. Mendonça afirmou, em sessão, que rejeitou a proposta de delação seletiva.
A troca de críticas entre Mendonça e Mendes já havia surgido na semana anterior, durante a análise do pedido de liberdade de Henrique Vorcaro, filho de Daniel Vorcaro. Mendes comparou a atual apuração às fases da Lava-Jato, enquanto Mendonça defendeu o entendimento de que não se pode forçar investigados a fechar colaborações.
Segundo Mendonça, não se trata de Lava-Jato e a decisão a respeito de delações não deve ser instrumentalizada para delação forçada. Ele reiterou que não prenderia alguém apenas para obter uma delação, destacando que o caso em análise não é Lava-Jato.
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