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Homens usam tags ocultas para rastrear mulheres em SP, diz SSP

SSP diz que rastreamento oculto de objetos pode configurar stalking; casos de perseguição a mulheres em São Paulo aumentam

A legislação considera "stalking" a prática de perseguir alguém obsessivamente — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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  • Homens vêm escondendo dispositivos de rastreamento, do tamanho de uma moeda e com custo inferior a R$ 100, em carros, bolsas e objetos de crianças para monitorar mulheres em São Paulo.
  • A SSP informou que esse uso pode caracterizar o crime de stalking, conforme o artigo 147-A do Código Penal, com pena de seis meses a dois anos de prisão, além de multa.
  • A prática ganhou ainda mais destaque após a reportagem da Folha de S.Paulo, com relatos de monitoramento em itens do cotidiano das vítimas.
  • Na Casa da Justiça, registros de casos na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher, no Cambuci, aumentaram no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2025.
  • A rede de proteção de mulheres em São Paulo inclui 144 Delegacias de Defesa da Mulher, 220 salas DDM, a Cabine Lilás e o aplicativo SP Mulher Segura, com milhares de atendimentos e acionamentos já registrados.

Homens têm usado dispositivos de rastreamento, chamados tags, escondidos em carros, bolsas, mochilas e até em pertences de crianças para monitorar a rotina de mulheres em São Paulo. A prática foi revelada pela Folha de S.Paulo em reportagem publicada na terça-feira (23).

A SSP confirmou ao g1 que o uso clandestino desses equipamentos pode configurar o crime de stalking, a perseguição repetida que ameaça a integridade física ou psicológica da vítima. A pena prevista é de seis meses a dois anos de prisão, além de multa.

Segundo a Secretaria, dispositivos do tamanho de moedas, vendidos por menos de R$ 100, permitem acompanhar deslocamentos em tempo real sem que a vítima perceba. O órgão aponta que o monitoramento pode se enquadrar no artigo 147-A do Código Penal.

A SSP disse acompanhar os registros de perseguição e violência contra a mulher de forma permanente, destacando a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A pasta informou que há 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e 220 salas DDM em funcionamento na cidade.

Dados e atuação institucional

A rede de proteção inclui a Cabine Lilás, instalada no Copom, que já realizou 29,6 mil atendimentos até maio deste ano, entre ligações, orientações e intervenções policiais. O SP Mulher Segura, aplicativo da SSP, reúne ferramentas de geolocalização e monitoramento de agressores.

De acordo com a pasta, o aplicativo soma mais de 61 mil usuárias ativas e registrou mais de 16,6 mil acionamentos do botão do pânico. O monitoramento eletrônico de agressores vem sendo ampliado, com 434 pessoas acompanhadas, e 221 delas respondendo por casos de violência doméstica.

Desde a implantação, 136 pessoas foram presas por descumprimento de medidas protetivas, informou a SSP. A secretaria mantém que as políticas públicas visam fortalecer a denúncia e a rede de atendimento para vítimas romperem ciclos de violência.

O que é stalking?

O crime de perseguição foi incluído no Código Penal em 2021. A prática envolve perseguir de forma reiterada, ameaçar a vítima ou invadir sua privacidade, restringindo sua liberdade. A pena pode aumentar em determinadas circunstâncias.

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