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Promotoria aponta empresária com R$ 185 mi em contratos SUS como laranja PCC

Promotoria afirma que Andrea Borges era laranja de grupo ligado ao PCC, gerindo contratos do SUS e concentrando fluxo de caixa de cinquenta e seis postos

Agentes da PF em nova fase da Operação Carbono Oculto
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  • O Ministério Público de São Paulo afirma que Andrea Cristina Alves Borges era “laranja” à frente de empresas do grupo ligado a Beto Louco e Mohamad Mourad, atuando como gerente em uma rede de postos.
  • Ela assinou contratos de R$ 185 milhões com o Ministério da Saúde em 2024 e 2025, por meio da distribuidora Star Pharma, que representa empresas estrangeiras no SUS.
  • A Promotoria diz que houve plano de concentrar as transações de cinquenta e seis empresas em um único posto para ocultar o fluxo de caixa, após a operação Carbono Oculto.
  • Mensagens apreendidas indicam Andrea mencionando a centralização de movimentações financeiras de várias empresas no mesmo posto, via uma conta única.
  • A Star Pharma informou que Andrea integrou o quadro societário até novembro e que não conhece as atividades dela fora da empresa; houve tentativas de contato sem resposta.

A Promotoria de São Paulo alega que Andrea Cristina Alves Borges atuou como laranja em uma rede de postos de combustíveis ligada a suspeitos com vínculos com o PCC. Ela assinou contratos de R$ 185 milhões com o Ministério da Saúde em 2024 e 2025 por meio da Star Pharma, empresa de distribuição de medicamentos com sede em Barueri (SP). A investigação envolve ainda a suposta atuação da cúpula do grupo em operações para inserir o crime organizado no setor.

Segundo o Ministério Público, Andrea exercia funções de gerência em uma rede de postos e integrava as lideranças do grupo investigado. A Promotoria localizou mensagens em que a empresária descreve o plano de concentrar transações de 56 empresas em um único posto, como forma de ocultar o fluxo financeiro. A atuação ocorre no contexto da operação Carbono Oculto e de seus desdobramentos, incluindo o Fluxo Oculto deflagrado no fim de maio de 2026.

Detalhes da investigação

A Star Pharma, com sede em Barueri, representa empresas estrangeiras em contratos com o SUS. Entre 2024 e 2025, a empresa movimentou cerca de R$ 185 milhões para fornecimento de insulina, com maior parte assinada por Andrea em nome da empresa. Em maio de 2026, um representante da Star Pharma acompanhou a chinesa Nanjing Pharmacare em reunião com o ministro da Saúde, mas o Ministério informou que o encontro foi solicitado pela empresa chinesa e não teve desdobramentos.

A Promotoria aponta que Andrea também possuía procurações para representar ao menos cinco outras empresas ligadas a parentes ou a eventuais laranjas do Primo, Mohamad Mourad. Além disso, registros de contabilidade e de cadastros indicam participação de Andrea em empresas de setores diversos, como postos de combustível, motel e administradora, transferidas a ela por familiares do grupo.

Conforme o MP, o conteúdo de mensagens indica reorganização financeira para concentrar recursos de diversas empresas em um único posto, com uso de plataformas de pagamento para facilitar o recolhimento. O caso envolve ainda o que é alegado como ligação entre o grupo e figuras investigadas no contexto do PCC, cuja defesa nega as acusações.

Contexto e autoridades

A promotoria cita documentos de autoridades financeiras que mencionam a Star Pharma como beneficiária de recursos de fundos ligados a operações investigadas. O Ministério da Saúde informou que a formação de contratos não implica análise de conduta de dirigentes ou acionistas das empresas licitantes. A defesa de Beto Louco e Primo afirma não haver evidências de vínculo com o PCC. Andrea não respondeu aos contatos feitos pela reportagem.

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