- Keir Starmer renunciou ao cargo de primeiro-ministro após quase dois anos no poder, mesmo com a maioria histórica do Partido Trabalhista de 411 dos 650 assentos na Câmara dos Comuns.
- A popularidade dele caiu durante o mandato, levando deputados, inclusive de seu próprio partido, a defender a saída; havia um projeto de afastar setores mais à esquerda, mas sem um plano claro de governabilidade.
- O ex-primeiro-ministro não conseguiu apresentar uma narrativa estável sobre as ações de governo, e a crise do custo de vida agravou a sensação de desconexão com o cotidiano da população.
- Desde a vitória do Brexit, o Reino Unido enfrentou forte volatilidade política, com o país tendo sétimo chefe de governo em dez anos; o Brexit não resolveu os problemas econômicos e alimentou frustração.
- O favorito para suceder Starmer é Andy Burnham, prefeito de Manchester, que deixou o cargo em junho para disputar assento no Parlamento; a liderança do Partido Trabalhista deve ocorrer em julho, e ainda há dúvidas sobre um projeto de governo capaz de responder aos desafios atuais.
Após quase dois anos no poder, Keir Starmer anunciou sua renúncia do cargo de primeiro-ministro do Reino Unido. O anúncio ocorreu em meio à instabilidade que virou marca do período recente, apesar da vitória histórica do Partido Trabalhista nas eleições de 2024, com 411 dos 650 assentos.
A saída ocorre num momento em que a popularidade de Starmer vinha em queda e até parlamentares do próprio partido defendiam o afastamento. Analistas ouvidos destacam que o ex-primeiro-ministro não apresentou um plano claro de governança, limitando a percepção de liderança eficaz.
Especialistas ressaltam que a crise reflete problemas estruturais ocorridos desde o referendo do Brexit, que deslocou a política britânica para frente de uma volatilidade contínua. A fragmentação entre temas econômicos, sociais e regionais dificulta a governabilidade.
Quem pode suceder
O principal favorito para assumir o cargo é Andy Burnham, atual prefeito de Manchester. Burnham encerrou seu mandato neste mês para concorrer a uma cadeira no Parlamento, abrindo caminho para a disputa de liderança no Partido Trabalhista, cuja votação está marcada para julho.
Segundo o pesquisador Kai Enno Lehmann, Burnham é considerado mais comunicativo que Starmer e acumulou resultados positivos na gestão municipal. Ainda assim, resta dúvida sobre diferenças reais na abordagem de políticas públicas em relação ao governo anterior.
Caso eleito, Burnham herdaria um partido com popularidade baixa e pressão por resultados rápidos. Analistas apontam que resta ver se há um projeto de governo capaz de enfrentar os desafios econômicos e políticos atuais do país.
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